Ultra Trail Torres del Paine, inscrições abertas.

2015 vem com novidades, novas distâncias, 100, 50, 25 e 10km além de uma prova de km vertical.

Esta 2ª edição da Ultra Trail Torres del Paine acontece dias 2 e 3 de outubro, são poucas vagas e já tem inscrições abertas para correr por um dos trekkings mais lindos e selvagens do mundo. O circuito W do Parque Nacional Torres del Paine.

Eu na UTTP 2014.
Foto: Leandro Chavarria

No percurso os corredores só se encontram com mochileiros fazendo a trilha, é um evento único de visual inesquecível.

A natureza mostra toda sua força com ventos fortes e montanhas com mais de 2500m de altura. Assista ao vídeo de 2014, encante-se e viva essa experiência você mesmo.

Mais informações em breve aqui no Blog.

Enzo Amato

1º vídeo Ultra Trail Torres del Paine 2014.

Frio, vento constante e lindas paisagens, na patagônia chilena o clima pode mudar a todo instante e isso é aventura na certa para quem gosta de corrida.

Em breve o vídeo com mais detalhes. Leia o texto de como foi a prova. Clique aqui.

Enzo Amato.

Ultra Trail Torres del Paine, minha corrida!

67km de muito vento gelado.

A impressão mais marcante foi essa, o vento, nem os 5000 metros de desnível acumulado ou as 11hs que levei para concluir o percurso impressionaram tanto quanto o vento, que por algumas vezes quase me jogou no chão. A paisagem com montanhas nevadas de 3mil metros e picos escarpados me deixavam em transe em alguns momentos, mas ora uma rajada mais forte me pegava desprevenido ora era anunciada pelo barulho das árvores que balançavam freneticamente e me deixavam alerta outra vez.

Momentos antes da largada, eu e Harry com 2 das poucas mulheres dos 67km.

A primeira edição da Ultra Trail Torres del Paine limitou em 100 pessoas distribuídas nas 3 distâncias, 109, 67 e 42km e eu estava entre os 34 atletas que largaram nos 67km em frente ao hotel Rio Serrano assim que o dia clareou as 7:30. Os primeiros kms ainda em estrada de cascalho me colocaram a par da realidade, uma lebre correndo pra todos os lados e mais adiante um condor voando baixo, sabia que em breve estaria nas trilhas do parque fazendo parte da natureza e era isso o que eu queria.

Cheguei a marca de 10km e só peguei uma banana no posto de abastecimento, ainda não precisava reabastecer a mochila, a trilha era em campo aberto e o vento muito gelado, meus batimentos estavam no limite que eu queria, mas por aquele frio eu não esperava, arriscava abrir um pouco o zíper do corta vento para que o suor evaporasse, mas tinha que administrar o abre e fecha para não ficar com mais frio ainda. Cheguei ao refúgio no km 26 que era um dos pontos de abastecimento com quase 3h de prova, peguei um café e uma barra de chocolate, pois os torrones que tinha levado pareciam pedras por causa do frio, havia largado com -3°C e àquela altura não estava muito mais que isso, a máxima do dia era de 7°C, saí do refúgio e comecei a subir um vale com mais vento encanado vindo de frente, levei mais de 1h só para esses 5km, mas o ponto de retorno me mostrou mais da natureza selvagem, estava no mirador Grey, de lá podia ver o glaciar Grey do alto, uma enorme massa de gelo com vários kms de extensão, fiz pose pra foto e fiquei admirado ao ver um fotógrafo e outros 2 caras marcando os atletas, a mercê do vento e do frio, tentava imaginar que roupa eles precisavam vestir para conseguir ficar ali por horas. Desci fácil, com vento a favor e cheguei novamente ao refúgio, desta vez km 36, me ofereceram macarrão, e para quem estava comendo torrone duro aquilo parecia um banquete, peguei meu prato sem molho, mais barras de chocolate e água, pois sabia que dali em diante só encontraria água nos rios. A trilha me guiava a circundar a montanha, vez ou outra encontrava com turistas fazendo trekking e só via as marcações do próprio parque e nenhuma da prova, como foi dito, isso chegou a atrapalhar alguns atletas, a edição inaugural serve de teste, passei por mais alguns refúgios, mas estes eram só para emergências, estava bem abastecido e podia me virar com o que carregava comigo, apesar de não poder entrar no país com o que costumo comer em provas, que é damasco seco, amêndoa e castanha do Pará, me virei com os torrones/pedra e chocolates. Quando me acercava mais da montanha uma leve chuva começava a cair, isso por causa do microclima das montanhas que muda com muita frequência.

Num momento da prova consegui tirar o corta vento e as luvas porque o sol aparecia com mais regularidade, enchi meu reservatório de água quando passei por um rio já por volta do km 50 com quase 8hs de prova, quando um dos joelhos começou a incomodar bastante e me fez reduzir o ritmo. Alguns corredores que estavam comigo no início da corrida se aproximaram e a chegada deles me motivou a acompanhá-los mesmo com muita dor, se estivesse sozinho certamente estaria caminhando e foi assim até chegar ao ponto mais difícil, uma subida íngreme de quase 400m verticais, nesse momento comecei a me sentir estranho, não sabia se estava com frio ou calor e a 3ª colocada feminino que estava comigo, abriu uma distância considerável, parei por um momento e resolvi vestir o corta vento novamente, comi e me hidratei, imagino que se demorasse mais para reagir teria tido uma hipotermia, não quis pagar pra ver, logo estava correndo novamente em direção ao ponto mais alto do percurso km 62, depois daquilo era só descida e quase todo meu peso na perna esquerda para aliviar a outra, completei os 67km em 11h08 depois de ter curtido toda minha prova e lidado com todas as dificuldades que apareceram, foi pra isso que eu fui. Adorei! 

Essa prova exige que você tenha experiência em provas de trilha e leve todo o equipamento que achar necessário, pois a falta dele pode custar caro.

O que usei:

  • Tênis: Asics Gel Fuji Racer 3
  • Camiseta térmica manga curta: Nike
  • Manguito: OG
  • 2 bandanas, uma no pescoço e outra na cabeça
  • Calça Legging: Adidas running
  • Luvas: Quechua
  • Óculos de sol: Briko
  • Câmera: GoPro Hero 2
  • Bastão de trekking: Boomerang
  • Mochila: Quechua Diosaz Raid 10
  • Corta vento: Montagne
  • Relógio: Polar RS100

Leia o que achei da UTTP e da PIM, suas diferenças e pontos a corrigir. Clique aqui. Se esteve lá deixe sua opinião.

Em breve o vídeo com mais detalhes sobre a prova.

Enzo Amato

Ultra Trail Torres del Paine e Patagonian International Marathon 2014

Foi um fim de semana de tirar o fôlego e tremer o esqueleto.

Encontrei muitos brasileiros, de Goiânia, BH, Recife, Porto Alegre, RJ, SP, Sorocaba, a turma da Ericsson, enfim dos quatro cantos do país e estrangeiros também, argentinos e alemães, que disseram estar lá por causa do vídeo que fiz ano passado. Perguntei a muitos deles depois da corrida o que eles tinham achado da prova, e aqui deixo algumas impressões minhas e deles.

Foram dois eventos diferentes, a UTTP na sexta com as distâncias de 109, 67 e 42km por trilhas e apenas 100 corredores de 15 países, que era o limite técnico para essa primeira edição. E no sábado a PIM com 4 distâncias 63, 42, 21 e 10km, essa com mais de 1000 corredores de 33 países (35% estrangeiros) sendo que 173 eram brasileiros e representavam 16% do total, ou aproximadamente metade dos estrangeiros, a sensação era de que o sul do Chile falava português naquele fim de semana.

  • A UTTP é simplesmente selvagem, natureza 100% do tempo, sem cruzar com carro e encontrar apenas alguns turistas pela frente. A trilha não é lamacenta nem escorregadia, tem desnível considerável, poucos pontos de abastecimento e rios de degelo potáveis, é uma prova relativamente de auto suficiência.
  • A PIM é toda por estrada de cascalho com paisagens lindas e incontáveis momentos para fotos panorâmicas de cartão postal. Treinos de subida devem fazer parte da preparação, conta com alguns pontos de abastecimento, mas é melhor se garantir e largar com o que gosta de comer e com certa quantidade de água para recarregar apenas uma ou duas vezes. Não passa por rios de degelo, por isso água só nos postos mesmo.

O vento foi fator determinante nas duas provas, coisa que em 2013 passou despercebida, a escolha do equipamento certo fez diferença, bem como da alimentação, o torrone que eu tinha parecia pedra e me custou muito comê-lo. Até abrir a embalagem era difícil, pois o vento forte e frio limitavam os movimentos das mãos, as duas provas necessitam de pequenas correções como marcação do percurso ou presença de staff na UTTP, pois algumas pessoas se perderam e outras ficaram na dúvida acarretando alguns equívocos na ordem de chegada, camiseta do evento como do ano anterior, enfim, pequenos detalhes facilmente corrigíveis. Tem que se levar em consideração que tudo rola dentro de um parque nacional onde a proteção à natureza é o mais importante e o que parece fácil e básico numa corrida na cidade pode não ser tão simples num lugar assim.

Largada dos 63km Patagonian International Marathon

Para 2015 a intenção é separar as duas provas, uma no fim de setembro e outra no início de outubro, já que uma não precisará mais da publicidade da outra. A PIM atingiu o limite de inscritos e a UTTP tinha mais de 10mil curtidas antes mesmo da largada.

Ano que vem a NIGSA, organizadora das provas, deve inaugurar a distância de 160km também dentro do parque para entrar de vez no cenário mundial de ultras distâncias.

Em breve assista ao vídeo das duas provas, deixe seu comentário e se quiser contar como foi essa experiência para você, entre em contato comigo, seu texto pode ficar aqui no blog para futuros corredores e admiradores.

Espero poder voltar em 2015 e encontrar muita gente animada como encontrei esse ano, foi um prazer conhecê-los e espero que possam comentar o texto para que mantenhamos contato.

Enzo Amato

Viagem boa tem leitura. Vou correr e volto já!

Logo mais embarco numa viagem longa para correr num parque nacional, no sul do Chile. Entre voos, conexões e esperas a viagem vai durar mais de 11hs e não há melhor maneira de fazer o relógio andar mais depressa e entreter a mente que um livro. 

Nessa viagem levo comigo o livro “No ar rarefeito” de Jon Krakauer que conta sobre a temporada no Everest de 1996, onde ele, jornalista e membro de uma das expedições, viveu uma das maiores tragédias da montanha.

Escolhi ler esse livro pela segunda vez porque sei que é leitura boa e também porque dentro de algumas semanas tenho uma outra prova inusitada no teto das Américas, o Aconcágua.

Vou passar uns dias sem dar notícias nem atualizar este blog, mas volto em uma semana com muita história pra contar sobre os 67km da Ultra Trail Torres del Paine, o livro, mesmo sabendo o final vale a pena, é demais!

Até breve.

Enzo Amato

Patagonian International Marathon e Ultra Trail Torres del Paine 2014

Além da 3ª edição da Patagonian International Marathon (PIM), em 2014 teremos o lançamento da Ultra Trail Torres del Paine (UTTP)

As duas provas acontecem no mesmo fim de semana, 26 e 27 de setembro, e quem fez inscrição para uma ainda pode mudar para outra. Deixo uma breve explicação sobre as principais diferenças entre as duas.

  • UTTP com 2 distâncias 67 e 42km por trilhas, clique aqui.
  • PIM com suas 4 distâncias 63, 42, 21 ou 10km por estrada de cascalho, clique aqui.

A principal diferença entre as duas é justamente o terreno, a PIM é ao mesmo tempo selvagem e fácil, pois é inteira por estrada de cascalho, sem obstáculos naturais ou partes técnicas, é possível correr com qualquer tênis de corrida e ficar o tempo todo apreciando a paisagem sem precisar olhar por onde pisa, é exigente só pela distância que você escolher. Já a UTTP é novidade pra mim, não conheço o percurso, mas sei que passará 85% por trilhas, certeza que isso fará a prova ser mais difícil e mais lenta, porém com a diversidade das trilhas.

Patagonian International Marathon, PIM 2013

Ter feito a PIM ano passado não significa que é só fazer as mesmas coisas ou vestir a mesma roupa. Em lugares como esse o clima pode mudar em pouco tempo e para garantir uma corrida desafiadora e prazerosa e não uma tortura ou risco de vida, é preciso ter os equipamentos adequados e certa prática que só os treinos longos em trilha conseguem te dar, como saber o que e quanto comer, onde o tênis incomoda, o que colocar em cada bolso da mochila, a combinação de roupas para frio, calor ou chuva… pequenos detalhes valem ouro em ambientes inóspitos e selvagens como esse, é tudo parte da experiência.

Inscrições limitadíssimas para a 1ª edição da UTTP (clique aqui e visite o site do evento)

Em qualquer uma delas você vai ver que o Parque Nacional Torres Del Paine, no sul do Chile, é um dos lugares desse mundão que a mãe natureza resolveu caprichar.

Assista ao vídeo da edição do ano passado. Clique aqui.

Enzo Amato