Long Distance Pirassununga 2014 e o triathlon.

Uma cena me fez observar a prova por um outro ângulo, ou melhor observar o triathlon no Brasil real.

O triathlon não virou o esporte que eu achei que o Brasil pudesse alavancar em 1999 quando comecei. 8mil km de litoral, o ano inteiro para treinar por causa da pequena amplitude térmica, 202 milhões de habitantes, sol, enfim, parece que esse meu olhar só para o clima e posição geográfica foi muito restrito.

Vi a uma prova de triathlon, relevante no calendário nacional, com as mesmas caras de sempre e poucos atletas, se comparado a outros esportes. Sempre reparo na pouca quantidade de mulheres, mas se comparar com países desenvolvidos são poucos atletas em geral.  Se vejo muitas caras antigas, também vejo atletas que não conseguem sequer subir na bike, sem qualquer afinidade com ela, talvez encarando uma prova longa cedo demais.

Ainda preciso colocar a cabeça no travesseiro mais vezes para tentar entender ou entender cada vez menos o que acontece, se o trânsito violento desmotiva os treinos de bike, ou se o valor da bike desmotiva novos atletas a descobrirem o esporte, ou se o valor da inscrição na prova é caro demais, se o querer tudo pra ontem faz com que pessoas entrem em provas longas sem experiência, sofram e desistam de fazer a próxima, se ficou tão competitivo a ponto de amadores se doparem… sei lá, como espectador, saí de Pirassununga com duas cenas na memória sobre o triathlon, a dos atletas colocando na reta de chegada toda a emoção de conquistar uma prova difícil certamente com vários meses de treino junto, e a outra, que me fez escrever esse texto, caras com camiseta de Ironman catando caramanholas do chão e colocando em sacos plásticos para levar pra casa, ou vender no ferro velho.

Parabéns a todos que passaram naquela reta de chegada, são esses momentos que ainda me fazem gostar desse esporte que poucos praticam e justamente por tê-lo praticado por mais de 13 anos, posso ser crítico as vezes.

Leve em conta que eu estava de mau humor quando vi a cena, mas gostaria de ler sua opinião.

Enzo Amato.