Recorde no Aconcágua agora é de Karl Egloff

E não é que ele bateu o recorde!

Karl Egloff tirou 57 minutos do “antigo” recorde que Kilian Jornet havia estabelecido nesta mesma temporada.

11h52 foi o tempo que Karl levou para subir e descer o Aconcágua em 19/02/2015. (Kilian havia feito 12h49 dois meses atrás, em 24/12/2014)

Aproximadamente a 2750m.s.n.m. estava o ponto de partida (Horcones)

Foram mais de 4mil metros de ascensão vertical e os mesmos 4mil de descida.

A 6969m está o cume do Aconcágua.

O percurso todo foi de mais ou menos 60km.

O recorde só de subida parece que não foi quebrado, ainda é de Jorge Egocheaga, com 7h52.

A super corredora brasileira Fernanda Maciel também tentou o recorde nesta mesma temporada, mas deu meia volta ao sentir-se mal aos 6mil metros.

Minha pergunta é, o que esperar para a próxima temporada de escaladas? O que esses super atletas tentarão fazer? Já é sabido que Kilian tentará o recorde no Everest, obviamente sem oxigênio suplementar. Como disse no texto anterior, esses são os desbravadores do nosso tempo e temos o privilégio de observá-los em tempo real.

Enzo Amato.

Nova tentativa de recorde no Aconcágua.

O guia de montanha equatoriano e corredor nas horas vagas Karl Egloff, que tirou de Kilian Jornet o recorde de ascensão do Kilimanjaro, maior montanha da África, agora parte para o Aconcágua tentar o mesmo.

Sairá da entrada do parque até o cume a 6969m.s.n.m. e retornará. Serão aproximadamente 60km com 4mil metros de desnível na subida e igualmente na descida. O catalão Kilian Jornet bateu o recorde no fim de 2014 cravando 12h49 e o equatoriano tem tudo para baixar esse tempo, pois além de ser guia de montanha e forte corredor, teve mais tempo de preparação, conhece o Aconcágua e só nessa preparação realizou 2 cumes.

Karl no cume do Aconcágua durante preparação para quebra de recorde.
Foto: (Reto Aconcagua (Facebook))

Dia 19/2/2015 as 7 horas, horário de Brasília, Karl começará a subir.

Nesta mesma temporada a brasileira Fernanda Maciel também tentou o recorde, mas deu meia volta ao passar mal aos 6mil metros.

Esses são os desbravadores do nosso tempo e poder acompanhá-los em tempo real é fazer parte da história.

Agora é torcer e esperar pra ver.

Enzo Amato.

Fernanda Maciel, nossa fera racional.

Semana passada a melhor corredora de montanha brasileira, Fernanda Maciel, 4ª colocada na Ultra Trail du Mont-Blanc tentou bater o recorde de ascensão e retorno no Aconcágua (6969m.s.n.m.). Partiu desde a entrada do parque a 2750 aproximadamente, tinha que chegar ao cume e voltar no menor tempo possível.

Ao chegar aos 6mil metros seu estado de saúde estava muito debilitado e ela decidiu voltar, mais abaixo aos 4300m foi avaliada por médicos e resgatada de helicóptero para descer e ser tratada rapidamente dos sinais de edema pulmonar.

Quando estamos na montanha não é só nossa vontade e perseverança que prevalece como quando corremos em ambientes menos extremos, não é só seguir a qualquer custo ou ignorar a dor. Ser mentalmente forte na montanha significa não cometer erros, é saber que dar meia volta é uma possibilidade real, é saber que conquistar o cume é só meio caminho e que ainda é preciso voltar vivo.

Numa clínica oferecida pela Ready4 pude conhecê-la pessoalmente, ela de branco e a Manu Vilaseca.
Foto: Marcelo Fim / MidiaSport

Somos parte da natureza, mas na montanha não estamos no topo da cadeia alimentar, “somos a caça”. Conquistar a montanha só é possível quando ela nos dá permissão, aquela brecha de bom tempo para seguir que coincida com o seu dia bom. É preciso saber decidir enquanto estamos no controle, mas é fácil perdê-lo, o topo da montanha é tentador, a cada passo ele fica mais próximo e morrer de exaustão quando o frio congela, o ar não chega, o raciocínio divaga e a força acaba é até confortável.

Que bom que aconteceu com uma atleta de grande visibilidade e competência como a Fernanda, que soube dar meia volta, que sabia que a montanha continuaria lá e que todos que torcemos nessa temporada estaríamos torcendo na próxima.

Bom tê-la de volta!

Enzo Amato