Ultra Trail Torres del Paine e Patagonian International Marathon 2014

Foi um fim de semana de tirar o fôlego e tremer o esqueleto.

Encontrei muitos brasileiros, de Goiânia, BH, Recife, Porto Alegre, RJ, SP, Sorocaba, a turma da Ericsson, enfim dos quatro cantos do país e estrangeiros também, argentinos e alemães, que disseram estar lá por causa do vídeo que fiz ano passado. Perguntei a muitos deles depois da corrida o que eles tinham achado da prova, e aqui deixo algumas impressões minhas e deles.

Foram dois eventos diferentes, a UTTP na sexta com as distâncias de 109, 67 e 42km por trilhas e apenas 100 corredores de 15 países, que era o limite técnico para essa primeira edição. E no sábado a PIM com 4 distâncias 63, 42, 21 e 10km, essa com mais de 1000 corredores de 33 países (35% estrangeiros) sendo que 173 eram brasileiros e representavam 16% do total, ou aproximadamente metade dos estrangeiros, a sensação era de que o sul do Chile falava português naquele fim de semana.

  • A UTTP é simplesmente selvagem, natureza 100% do tempo, sem cruzar com carro e encontrar apenas alguns turistas pela frente. A trilha não é lamacenta nem escorregadia, tem desnível considerável, poucos pontos de abastecimento e rios de degelo potáveis, é uma prova relativamente de auto suficiência.
  • A PIM é toda por estrada de cascalho com paisagens lindas e incontáveis momentos para fotos panorâmicas de cartão postal. Treinos de subida devem fazer parte da preparação, conta com alguns pontos de abastecimento, mas é melhor se garantir e largar com o que gosta de comer e com certa quantidade de água para recarregar apenas uma ou duas vezes. Não passa por rios de degelo, por isso água só nos postos mesmo.

O vento foi fator determinante nas duas provas, coisa que em 2013 passou despercebida, a escolha do equipamento certo fez diferença, bem como da alimentação, o torrone que eu tinha parecia pedra e me custou muito comê-lo. Até abrir a embalagem era difícil, pois o vento forte e frio limitavam os movimentos das mãos, as duas provas necessitam de pequenas correções como marcação do percurso ou presença de staff na UTTP, pois algumas pessoas se perderam e outras ficaram na dúvida acarretando alguns equívocos na ordem de chegada, camiseta do evento como do ano anterior, enfim, pequenos detalhes facilmente corrigíveis. Tem que se levar em consideração que tudo rola dentro de um parque nacional onde a proteção à natureza é o mais importante e o que parece fácil e básico numa corrida na cidade pode não ser tão simples num lugar assim.

Largada dos 63km Patagonian International Marathon

Para 2015 a intenção é separar as duas provas, uma no fim de setembro e outra no início de outubro, já que uma não precisará mais da publicidade da outra. A PIM atingiu o limite de inscritos e a UTTP tinha mais de 10mil curtidas antes mesmo da largada.

Ano que vem a NIGSA, organizadora das provas, deve inaugurar a distância de 160km também dentro do parque para entrar de vez no cenário mundial de ultras distâncias.

Em breve assista ao vídeo das duas provas, deixe seu comentário e se quiser contar como foi essa experiência para você, entre em contato comigo, seu texto pode ficar aqui no blog para futuros corredores e admiradores.

Espero poder voltar em 2015 e encontrar muita gente animada como encontrei esse ano, foi um prazer conhecê-los e espero que possam comentar o texto para que mantenhamos contato.

Enzo Amato

Brasileiros correm em Torres del Paine – CHI

Acabei de receber uma notícia muito legal.

Em 2013 só haviam 2 veículos de comunicação do Brasil para cobrir a PIM que rolou dentro do Parque Nacional Torres del Paine, na patagônia chilena, Sacha e eu, representando o MidiaSport e a Andrea Estevam da revista Go Outside.

Éramos 42 brasileiros correndo em 2013 (16 mulheres e 26 homens), e em 2014 seremos 173, nada menos que 16% dos 1120 corredores!!!! (78 mulheres e 95 homens).

Parece que divulgamos bem com os vídeos e textos. O parque ser a 8ª maravilha do mundo também ajudou. rsrs.

Reveja os vídeos de 2013, e aguarde as novidades de 2014, já que filmarei a 1ª edição da UTTP que acontece toda por trilhas e terá apenas 100 atletas de 14 países nessa edição inaugural, será um dia antes da PIM, que está na sua 3ª edição, toda por estrada de cascalho. E não perca a oportunidade de agendar uma viagem/corrida dessa para 2015, as imagens falam por si.

1º vídeo

2º vídeo

Enzo Amato

Patagonian International Marathon e Ultra Trail Torres del Paine 2014

Além da 3ª edição da Patagonian International Marathon (PIM), em 2014 teremos o lançamento da Ultra Trail Torres del Paine (UTTP)

As duas provas acontecem no mesmo fim de semana, 26 e 27 de setembro, e quem fez inscrição para uma ainda pode mudar para outra. Deixo uma breve explicação sobre as principais diferenças entre as duas.

  • UTTP com 2 distâncias 67 e 42km por trilhas, clique aqui.
  • PIM com suas 4 distâncias 63, 42, 21 ou 10km por estrada de cascalho, clique aqui.

A principal diferença entre as duas é justamente o terreno, a PIM é ao mesmo tempo selvagem e fácil, pois é inteira por estrada de cascalho, sem obstáculos naturais ou partes técnicas, é possível correr com qualquer tênis de corrida e ficar o tempo todo apreciando a paisagem sem precisar olhar por onde pisa, é exigente só pela distância que você escolher. Já a UTTP é novidade pra mim, não conheço o percurso, mas sei que passará 85% por trilhas, certeza que isso fará a prova ser mais difícil e mais lenta, porém com a diversidade das trilhas.

Patagonian International Marathon, PIM 2013

Ter feito a PIM ano passado não significa que é só fazer as mesmas coisas ou vestir a mesma roupa. Em lugares como esse o clima pode mudar em pouco tempo e para garantir uma corrida desafiadora e prazerosa e não uma tortura ou risco de vida, é preciso ter os equipamentos adequados e certa prática que só os treinos longos em trilha conseguem te dar, como saber o que e quanto comer, onde o tênis incomoda, o que colocar em cada bolso da mochila, a combinação de roupas para frio, calor ou chuva… pequenos detalhes valem ouro em ambientes inóspitos e selvagens como esse, é tudo parte da experiência.

Inscrições limitadíssimas para a 1ª edição da UTTP (clique aqui e visite o site do evento)

Em qualquer uma delas você vai ver que o Parque Nacional Torres Del Paine, no sul do Chile, é um dos lugares desse mundão que a mãe natureza resolveu caprichar.

Assista ao vídeo da edição do ano passado. Clique aqui.

Enzo Amato

Patagonian International Marathon, a prova!

Depois de 58km, já correndo bem devagar, prestes a cruzar uma ponte sobre um rio de degelo das montanhas à minha frente, uma corredora chilena passa por mim e diz, – olha que paisagem linda! Só me restou concordar e responder com outro adjetivo – todo o parque é espetacular!

Foi assim a prova inteira, o cansaço da viagem havia valido a pena logo no primeiro km de corrida da 2ª edição da Patagonian International Marathon. O Sacha acompanharia a corrida do carro da imprensa parando para fotografar e filmar enquanto eu correria os 63km, também filmando, dentro do parque nacional Torres del Paine, na patagônia chilena.

Acordamos às 6 e logo fui me arrumar, esparadrapo nos pés, vaselina e 2 pares de meia para proteger e tentar não perder as unhas, escolhi um tênis baixo e leve, mesmo com o percurso sendo totalmente em estrada de terra e pedras, decisão certa, calça, camiseta térmica por baixo da manga longa e outra manga curta, bandana no pescoço e corta vento na mochila de hidratação. Teria pouco tempo entre o café da manhã e a largada às 8, por isso optei por comer pouco, com tudo pronto vários corredores foram para o estacionamento do hotel esperar a van que nos deixaria a 2km da largada, ou seja precisávamos caminhar pelo menos 20min, a temperatura beirava zero grau e um pequeno atraso da van nos obrigou a correr esses 2km para chegarmos a tempo e logo precisei calçar as luvas, pois já não conseguia mexer os dedos. Estávamos ao lado de um glaciar (geleira) e alguns blocos de gelo flutuavam no lago, coincidentemente éramos 63 corredores na distância de 63km, sendo 9 mulheres.

Contagem regressiva e um lindo dia de céu azul e pouco vento começava. Eram 4 distâncias diferentes, 63, 42, 21 e 10km que largavam em horários e locais diferentes para que todas terminassem no mesmo local, aproximadamente na mesma hora. A prova é relativamente plana, quase ao nível do mar, com montanhas de mais de 2mil metros por perto, difícil descrever a sensação de estar lá e fazendo o que gosto, no início nos deparamos com longas retas, um grupo logo se distanciou e me vi sozinho ouvindo meus passos, os pássaros e contemplando um dos lugares mais bonitos do planeta, o primeiro posto de água apareceu depois de 11km, e ao menos pra mim não senti falta dele antes disso, eram dois voluntários com um galão de água apoiado numa mesa, abasteci 300ml na mochila que foram suficientes para me levar até o próximo posto com 21km de prova em 1h45, ainda corria com luvas, era nesse lugar que os corredores dos 42km largavam, usava meus batimentos como parâmetro, aquele frio me fazia correr bem e o plano deixavam os batimentos bem estáveis, quando passei a marca de 42km as subidas e descidas apareceram, e na minha cabeça, só faltava 1/3, o que naquele momento me parecia pouco, mas a partir do km 45 comecei a sentir falta das minhas batatas com sal, nos postos só havia água, banana e as vezes maça, comigo eu tinha 4 sachês de gel, mas depois do 2º eles não desciam mais, o jeito foi seguir comendo banana e tinha que ser só metade por vez para não pesar no estômago.

No km 48 parei para tirar as camisetas e fiquei só com a de poliamida, a máxima daquele dia era de 15º e o sol ajudava, sabia que ainda tinha mais uns 5km de subida até chegar ao ponto mais alto da prova 350m, claro que não é muito, mas naquelas condições era o Everest pra mim, os últimos 10km eram praticamente em descida e apesar de saber que as descidas castigam mais quando os músculos estão esgotados, nesse dia eu voava nas descidas e engatinhava nas subidas, sinal de que faltava comida mesmo.

A paisagem que me conquistou já no primeiro km continuou surpreendendo até o final, 6h50 depois, e sem ter encontrado lixo no chão, a chegada era num dos hotéis dentro do parque com uma linda montanha de mais de 2mil metros ao fundo. De tanque vazio, esgotado e feliz por ter superado 63km, mas principalmente por ter corrido num dos lugares mais bonitos que já vi e com muita vontade de voltar.

Ao final tínhamos a opção de comer um churrasco típico e no dia seguinte, cheio de dores musculares fiz um trekking de 14km por uma das trilhas de montanha do parque e a paisagem, nem preciso repetir! Tudo valeu a pena.

Outros textos interessantes sobre a prova e o lugar estão aqui no blog, basta pesquisar pelo nome da prova.

Enzo Amato

Patagonian International Marathon, como chegar.

Viagem longa para chegar na Patagônia Chilena, que só faz confirmar a tese de quanto mais difícil, mais recompensador. O cansaço passou quando os 5 sentidos se depararam com as paisagens naturais e selvagens daquele lugar.

O Sacha e eu saímos de SP com objetivo de participar e filmar a Patagonian International Marathon, no parque nacional Torres del Paine. Nas 4h de voo até Santiago tivemos o prazer de conhecer a Andrea Estevam, diretora de redação da revista Go Outside, que assino desde a 1ª edição, e corredora experiente nas longas distâncias, já em Santiago mais 6 longas horas de espera no aeroporto e outro voo de 4h para Punta Arenas, dormimos lá, e logo cedo mais 400km de van para chegar no Parque nacional com uma parada no meio do caminho para participar da coletiva de imprensa e entrega de kits na cidade de Puerto Natales. A viagem pareceu longa porque tínhamos as horas contadas e no dia seguinte 63km de corrida me esperavam. Alugar um carro em Punta Arenas é o que teria feito se tivesse ido por conta própria, a estrada tem boas condições e não faltam lugares para boas fotos.

Parque Torres del Paine - Foto: Sacha Nappo

Parque nacional Torres del Paine – Foto: Sacha Nappo / MidiaSport

Haviam 2 opções de hospedagem, uma é ficar em Puerto Natales e sair bem antes da largada, já que está a 150km de distância. A outra é se hospedar algumas noites num dos vários hotéis dentro do parque, que apesar de mais caro, eu recomendo fortemente porque existem várias trilhas para percorrer depois da corrida, assim dá pra conhecer mais aquele lugar espetacular, além de estar próximo da prova.

Tanto dentro, como próximo ao parque, a estrada passa a ser de terra e pedras, também em ótimas condições.

Basta olhar onde o parque fica no mapa para ter ideia da temperatura, estávamos mais perto da Antártica do que de SP, porém qualquer ambiente interno tem calefação e você só passa frio se ficar ao ar livre.

Texto e vídeo de como foi a prova.

Enzo Amato

Patagonian Int’l Marathon, números interessantes.

Há menos de uma semana da largada trago alguns números interessantes sobre a Patagonian International Marathon.

Seremos 741 corredores, sendo 58% homens e 42% mulheres de 25 países representados. Tanto o percentual de mulheres como a quantidade de países são números impressionantes

Nas 4 distâncias da corrida teremos:

260 (35%) corredores nos 10km;

286 (39%) nos 21km;

132 (18%) nos 42km;

63 (8%) nos 63km coincidentemente.

Em 2013 seremos mais que o dobro de corredores se comparado com a primeira edição, que rolou ano passado.

A temperatura varía bastante, mas a média fica entre 5 e 10º

O grande diferencial da prova, além do cenário, é o cuidado e preservação da natureza, não teremos copos descartáveis e para isso teremos que carregar nossa garrafinha ou mochila para recarregá-la nos pontos de abastecimento, que no caso de uma prova tão austral, estarão aproximadamente a cada 8km e sem risco de passar sede. Sem contar a campanha de reflorestamento onde cada atleta representa uma árvore plantada (de verdade). A prova não oferece prêmio em dinheiro e o slogan é “Correr en la Patagonia por la Patagonia”.

Ansiedade alta só superada pela auto confiança de ter treinado bem.

Leia como foi minha prova. Assista aos vídeos.

Enzo Amato