K42 Bombinhas (12km)

Por Paula Di Luciano

É incrível como o tempo parece passar muito mais rápido quando se corre em trilha ou montanha do que na paisagem urbana. O K42 em Bombinhas foi minha primeira prova de 12Km e também meus primeiros 12Km em trilha e realmente gostei muito!

A corrida larga na praia junto com os competidores dos 42K e depois de subir atravessando a pequena cidade os 2 grupos de corredores se dividem. Daí em diante, nós corredores dos 12K pegamos novamente a praia para depois sim irmos em direção a parte mais alta de um dos morros, fazer outro trecho na areia e depois subir novamente na trilha e aparecer entre as pedras um pouco escorregadias, por conta do clima, novamente na praia.

Mesmo no dia nublando a paisagem é linda demais especialmente no alto do morro, nessa hora me arrependi de não ter uma câmera de fotos comigo…
A organização foi muito atenciosa e sempre disposta a ajudar, para os 12K tinham 2 postos de hidratação que foram suficientes, pelas dúvidas eu levava o cinto de hidratação que até esqueci que estava usando, ou seja, nem precisei beber, como não fazia calor não foi preciso.
Em relação ao lixo, achei legal que colocaram as lixeiras uns 100 metros depois dos pontos de hidratação, apesar disso sempre tem algumas pessoas que mesmo na trilha jogam alguma coisa. Mas achei mais legal ainda a mudança que terá no regulamento a partir do K21 de Pedra Azul no Espírito Santo, onde não serão mais fornecidos copos d’água e os postos serão de reabastecimento, além disso foi incluído no código de ética do trail runner a punição com 30 minutos de acréscimo no seu tempo final ao atleta que for pego jogando lixo no chão. Pena que seja preciso chegar ao ponto de colocar punição para as pessoas se tocarem e forçá-las a virarem responsáveis com o meio ambiente.
Tomara que o próximo ano possa participar novamente em Bombinhas e dos próximos eventos do K21series!

 

K21 San Juan – Argentina

Por Paula Di Luciano

Em San Juan o sol brilha mais de 300 dias ao ano e o nível anual de chuva não passa dos 250 mm, (no sudeste do Brasil é mais de 1500mm) mas no dia da corrida o sol não quis aparecer e o frio foi uma barreira a mais, pelo menos pra mim, que sou sanjuanina, mas já tenho termômetro brasileiro.

Dia de treino no percurso dos 21km, com o sol já conhecido.

A temperatura não superava os 5 graus na hora da largada da segunda edição do K21 San Juan que, apesar do frio já esperado por ser inverno, reuniu mais de 600 competidores no Dique de Ullum a uma distância de 14 km da cidade de San Juan, que fica na pré Cordilhera dos Andes, 1400 km a oeste de Buenos Aires, 160 km ao norte de Mendoza e também produz bons vinhos, porém menos exportados.

A corrida tinha dois circuitos, 21Km e de 10Km (claro que eu fiz o de 10!), ambos largaram às 11 da manhã de um dos clubes de campo que fica à beira do dique. Com paisagem desértica o percurso fazia os competidores transitarem por rios secos e cerros (morros), com apenas 3 km de asfalto, quem fez os 21k teve muito para se entreter subindo e descendo entre as montanhas do vale, chegando a uma altura de 1.051 metros passando por lugares desafiadores, e para completar, lá em cima caía o que chamamos de “água nieve” que é a chuva congelada, ou seja, estava frio mesmo!

Durante o percurso, todos com a camiseta da prova por cima das roupas de frio.

As pessoas que moram em San Juan estão acostumadas com os circuitos de montanha, a maioria dos grupos treinam naquela área, mas tinham também pessoas de diferentes partes da Argentina que acharam o circuito muito exigente, ao mesmo tempo que estavam maravilhadas com a paisagem. Pra se ter ideia da dificuldade, os primeiros colocados nos 21km masculino e feminino respectivamente completaram o percurso em 1h45 e 2h16. Eu que faço 10km no asfalto em 1h, levei 1h50.

O primeiro posto de hidratação estava no km 5, e o segundo no km 7, eu não senti sede, talvez porque não tinha sol, nem calor,  mas se tivesse água antes teria tomado, acho que eu era das poucas pessoas que não levava um cinto com garrafinhas d’água, no caso dos 21k todos os corredores levavam cinto ou mochila. A água que nos davam parecia recém tirada da geladeira, mas na verdade estava na temperatura ambiente.

Na vestimenta quase todas as pessoas usavam uma primeira pele de manga comprida, boné, ou cuellito(bandana) que a organização fornecia, a camiseta da prova, e alguns também um corta vento. Eu não cheguei a sentir calor, só tinha uma camiseta manga comprida de poliamida e a camiseta da prova, realmente o sol fez falta ou mais agasalho. Todas as pessoas pareciam muito bem equipadas para o frio, eu achei que iria esquentar durante a corrida, mas isso não aconteceu e poderia ter levado uma primeira pele ou um corta vento.

Cada kit esperando por seu corredor.

A retirada do kit foi no dia anterior a prova em um hotel da cidade, e muitas pessoas fizeram sua inscrição de última hora no próprio local. No domingo, às 10h30, antes da largada teve uma pequena palestra técnica, que eu não escutei porque estava na fila do banheiro feminino, rsrs…

Minha amiga de infancia Anheli, já agasalhada, e eu logo após terminarmos a prova com um improvável céu nublado em San Juan.

Via enfermeiros da Cruz Vermelha e uma equipe reforçada de colaboradores na parte alta do circuito de 21Km. Frutas e gatorade a disposi na chegada.

Foi minha primeira corrida fora de estrada e adorei, os percursos desafiaram tanto os experientes quanto os novatos, como eu. Os organizadores estiveram sempre presentes e prestativos.

Para chegar em San Juan desde São Paulo, basta fazer conexão em Buenos Aires, e o voo Buenos Aires – San Juan dura 1h40. Outra opção é desde Mendoza pegar um carro, são aproximadamente 2 horas dirigindo pela Ruta 40. Nos arredores da cidade é possível visitar vinícolas e estabelecimentos onde se elabora azeite de oliva.

Quem tiver interesse em um circuito similar de montanha, no próximo 29 de setembro acontece a quarta edição do K21 San Rafael, ao sul da província de Mendoza, com uma temperatura mais amena por já ser na primavera.

Em breve o vídeo da prova estará disponível aqui no blog e no MidiaSport.

Paula Di Luciano

Os primeiros 10km, escolhido a dedo.

Finalmente, depois de uma tentativa frustrada por causa de uma dor no joelho, eu consegui fazer a minha primeira prova de 10km. Foi no Circuito das Estações Adidas que largou do Pacaembu, no domingo 1 de julho. A tentativa frustrada era a etapa anterior do mesmo circuito, da estação outono, mas umas 3 semanas antes da prova comecei a sentir uma dor no joelho e tive que desistir. Agora, já recuperada, encarei os 10 km da estação “inverno” (inverno entre aspas porque fazia 25 graus, e agora enquanto eu escrevo, estou na Argentina e aqui fazem 3 graus, eu já tinha esquecido o que era o inverno argentino, já que passei os últimos 4 anos no Brasil).

Em SP não faltam provas curtas de 5 ou 10 km, mas não queria qualquer prova, eu queria correr no elevado, mais conhecido como Minhocão, pois é, todos me falam – Só você para querer correr no Minhocão… O que acontece é que sempre achei curiosos e interessantes os centros das cidades, muitas vezes eles mostram uma cara oculta da cidade ou até realidades que muitos preferem ignorar, mas muitas pessoas também ignoram os segredos e curiosidades que os centros das cidades oferecem. No caso do centro de SP não é diferente. Eu adoro o centro da cidade e a vista do elevado é muito legal. No percurso da corrida dá para, primeiramente, sentir os contrastes da cidade, saindo do Pacaembu localizado em um dos bairros mais nobres da cidade, para logo pegar o Elevado e apreciar um outro visual da cidade e uma outra forma de vida. Nas curvas que o ele faz aparece lá no fundo o ex-edifício do Banespa com a bandeira do Estado de São Paulo no alto, e mais para frente o Edifício Copam, entre outros. O que foi muito curioso, para mim, foi ouvir comentários durante a corrida de corredores surpresos com o visual dos prédios e a arquitetura. Esses prédios sempre estiveram lá e cada um deles tem alguma história legal, só que muitas pessoas não curtem ou não se interessam muito pela própria cidade. Então eu gostaria de convidar os paulistanos a conhecer a sua cidade, visitar monumentos, bibliotecas, teatros, praças, galerias… porque SP tem de tudo, mas de que serve morar em uma cidade que tem de tudo se a gente não aproveita esse tudo que a cidade nos brinda?

Feliz por enxergar a cidade pelo lado de fora de um carro

 Esse convite pode parecer um pouco cara de pau porque eu não sou brasileira, mas acho que é justamente por isso que eu vejo tudo com um olhar mais curioso, e assim vou descobrindo coisas muito legais da cidade.

Agora espero poder fazer uma outra corrida de 9km que passa pelo centro em agosto, ah! e por ir concentrada em curtir a paisagem da cidade esqueci a minha dor no joelho que deu as caras no km 7, mas a ignorei e continuei correndo, terminando meus primeiros 10km no percurso que eu queria.

Paula.

160km de bike com Titãs na cabeça!

No sábado, dia 10/3 fui com os atletas que se preparam para o Ironman pedalar 160km.

Acordei as 5 da manhã, tomei café, me arrumei, peguei toda comida e líquido que usaria no treino, por volta de 4kg e as 6:10 me encontrei com alguns deles, seguimos para o ponto de encontro e as 6:45 começamos realmente o treino, éramos 9 nesse dia, Imigrantes, Rodoanel, Imigrantes, interligação 2x e retorno para casa. O sol matando, o pessoal arrepiando o pedal, cheguei em casa as 13:00, pouco antes da chuvarada. Ao ler parece que passou rápido não é? E passou mesmo!

Culpa da noite anterior onde a Paula e eu assistimos ao show dos Titãs, passei o dia relembrando as músicas e da grande noite que tivemos. Show no SESC Belenzinho, ingresso a preço justo R$40, estacionamento coberto a R$6, pão de queijo a R$1, espaço de sobra e limite de pessoas, só 500 por show, enquanto esperávamos, podíamos escolher entre comer no buffet ou tomar um café, todos sentados confortavelmente. Na hora marcada o show começou, nos levantamos e fomos para perto do palco, como todos os outros, não importava o local que ficássemos, sempre estávamos perto do palco e sem tumultos, mais de 1h30 de show, todo álbum Cabeça dinossauro e várias outras, apenas 4 horas de sono para encarar os 160km do dia seguinte, mas muito satisfeito.

Ser Ironman é saber curtir a vida, treinar para viver e não viver para treinar.

Enzo Amato.

Momentos indescritíveis.

O feriado de finados não podia ter sido mais vivo.

Comecei o dia com um treino de 30km de corrida, tudo bem, almocei rápido e segui com a Paula para a mostra internacional de cinema de São Paulo, foi nosso 3º filme da mostra, esse sobre a contaminação que as mineiras causam na província onde a Paula nasceu, uma rede de pessoas corrompidas que detonam as riquezas naturais do país, colocam em risco a água para a população da província, que nem sequer recebe algo em troca por toda essa exploração. Revolta e provoca indignação por sermos tão maleáveis, aqui no Brasil a construção da usina de Belo Monte é outro exemplo parecido, um bom trecho do rio será desviado ceifando a forma de sustento de várias comunidades além de causar desequilíbrio populacional, mais desemprego a longo prazo, e pasmem, a energia produzida não será utilizada pela região.

O dia terminaria com uma palestra do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na Sala São Paulo. Como tenho uma namorada que manda bem sobre política ela ganhou os ingressos respondendo a uma pergunta pelo Facebook. Íamos conhecer a Sala São Paulo e ouvir o FHC falar, estávamos animados por isso. Por volta de 300 pessoas, a grande maioria acima dos 50 e 60 anos. O nome do evento era “Fronteiras do pensamento” ele falaria, a partir do seu ponto de vista, um pouco sobre as mudanças pelas quais o Brasil vem passando num mundo globalizado. Logo no início mostrou seu humor afinado, apenas entrou e foi aplaudido por mais de 1 minuto e sua primeira frase foi  ”tenho medo quando me aplaudem no início porque não sei o que será no final” falou de alguns livros que escreveu há mais de 30 anos, que naquela época eram relevantes, mas que lidos agora não descreveriam a realidade. Engraçado como podemos traçar um paralelo, por exemplo, na minha área de atuação faço rotinas diferentes das que fazia há apenas 5 anos atrás, outras até diferentes das que fazia há 6 meses atrás, e talvez daqui alguns anos com mais conhecimento e aprendizado me arrependa das que esteja fazendo agora, por outro lado vejo pessoas aplicando rotinas de mais de 40 anos, é impressionante como todas as áreas tem muito a evoluir e sempre se transformam, basta estarmos abertos e dispostos a enxergar ao nosso redor e admitir que em determinado momento da história era isso que era possível, mas que sempre podemos repensar. Aprendi muito sobre o passado do país, do futuro otimista que ele enxerga, democracia, mas chama a atenção a fluência com que ele fala, emendando as informações, não se esquecendo do ponto principal, falou por volta de 50min olhando nos olhos das pessoas, sem precisar ou ter um papel para ler. Me lembro que durante seu mandato sempre dava atenção às suas entrevistas, nesse dia pude ouvi-lo por quase uma hora, depois ainda foi entrevistado por mais meia hora falando um pouco sobre os bastidores do poder, do lado pessoal durante o mandato etc…

Terminada a palestra uma pequena aglomeração se formou no momento em que ele desceu as escadas, enquanto todos saíam em direção ao estacionamento ele foi para o outro lado, nessa hora sugeri à Paula que fôssemos atrás para tentar uma foto com ele.

FHC e Enzo

Momentos indescritíveis

Sem seguranças, sem policiais, apenas com poucas pessoas por perto, e supostamente esperando por um táxi, a Paula lhe perguntou diretamente se podiam fazer uma foto juntos, logo de cara ele percebeu que ela era Argentina, depois foi minha vez, aperto de mão, sorriso no rosto, foto batida e uma sensação indescritível que poucas pessoas poderiam proporcionar. Saímos felizes e admirados, por ter ouvido, e por posar ao lado de uma pessoa que fez diferença na história do país.

Corrida da Independência, mas sem hino!!!

Dia 07 de Setembro é o feriado que comemora o dia da independência. A Paula, que é argentina, e muito ligada às datas históricas dos dois países, dá mais importância a ela do que muitos brasileiros, e fez questão de escolher sua primeira corrida de 5km nos arredores do museu do Ipiranga  porque acha o local muito bonito e porque imaginava que iria ouvir o hino tocado por uma banda e cantado pelos corredores.

A prova foi bem organizada no início, fácil de estacionar, espaço de sobra para pegar kit, para largar etc. Mas um detalhe, que ao meu ver não é tão pequeno assim, não tocaram o hino nacional. Era 7 de Setembro, dia da independência, com largada e chegada perto do monumento à independência e faltou o hino nacional, talvez exigir uma banda seja exagero da nossa parte, mas nem um CD, e não era por falta de equipamento de som, pois havia música antes da largada para agitar o pessoal, mas tenho certeza que nenhuma conseguiu ser tão emocionante e arrepiante como o hino nacional. Não é a toa que nos incomodamos quando atletas que representam o país, diante de milhões de espectadores, não saibam cantar o hino e só mexam a boca, ou male male só sabem a primeira metade. No verão passado cansei de ouvir em todo lugar “quero não posso não…” no retrasado o rebolation é que não saía da boca do povo, enquanto nosso hino se mantém cada vez mais esquecido. Reflita sobre isso caro corredor, e antes que você ou seus filhos decorem o hit do próximo verão questione-se se já tem decorado o hino nacional.

Enfim, a Paula correu bem e terminou em 30minutos os 5km.

5km Troféu da Independência

Paula nos 5km Troféu da Independência com museu do Ipiranga ao fundo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Deixo a letra do hino nacional brasileiro logo abaixo para que nunca deixemos de praticar:

I

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante,
E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da Pátria nesse instante.

Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó Liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!

Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!

Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.

Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza

Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!

Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!
II

Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!

Do que a terra mais garrida
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores;
“Nossos bosques têm mais vida”,
“Nossa vida” no teu seio “mais amores”.

Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!

Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro desta flâmula
– Paz no futuro e glória no passado.

Mas, se ergues da justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.

Terra adorada
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!

Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!

Composição: Francisco Manuel da Silva / Joaquim Osório Duque Estrada