Musculação – mitos do agachamento

Ir a academia, além de ter sido trabalho por muitos anos, é também um prazer, gosto de treinar, e durante o treino é impossível não reparar nas aberrações durante a execução dos exercícios na sala de musculação.

Neste texto me refiro só ao agachamento. Excelente exercício principalmente para pernas e glúteos, mas para manter a barra nas costas vários outros músculos precisam ajudar, e para agachar, além de uma boa técnica é importante também ter o corpo todo adaptado para suportar a carga. Aquele cinturão, que deveria ser usado só por fisiculturistas ou pessoas que suportam pesos absurdos, é irrisório ou placebo para pessoas comuns, que são 99,9% das pessoas da academia. Imagine que seu tronco é um cilindro de ar, e ao deixar o cinto BEM apertado você aumenta a pressão desse cilindro. Sabendo que é preciso 18 meses de treino frequente para adaptar a cartilagem do joelho e conseguir descer mais no agachamento sem problemas, o correto para a maioria das pessoas é descer só até 80 graus, onde está a melhor relação custo x benefício do exercício. Aos que são muito experientes e não tem dor, descer mais certamente é melhor, mesmo que tenha que diminuir o peso para isso, pois estudos mostraram que maior amplitude traz mais hipertrofia e mais força do que pouca amplitude. Apesar de parecer que usar o cinturão dá a impressão de botar a maior banca, se ele não estiver realmente apertado, ele só vai servir para apoiar a toalha mesmo. Se você tem dor nos joelhos ou nas costas para esse exercício, terá que levantar o peso que essas partes deixarem e na angulação  que elas deixarem, até que se fortaleçam para acompanhar o que as pernas aguentam. Isso leva tempo e cuidado, pois cada estrutura do corpo tem um tempo diferente de adaptação às cargas, que varia de poucas semanas para os músculos, até 18 meses para as cartilagens.

Outra aberração é apoiar as mãos nas coxas, é muito comum no agachamento smith, onde a barra só se move no eixo vertical, a pessoa aumenta para um peso que as pernas não aguentam, mas usam as mãos para ajudar. Melhor mais amplitude do que mais peso em movimentos curtos, tanto para força quanto para hipertrofia.

Já vi também quem faça agachamento com os calcanhares elevados apoiados num pequeno degrau ou anilha, esse não sei nem explicar, quem tem as panturrilhas encurtadas vai continuar com pouca amplitude, e até que ponto vale a pena diminuir a área de contato no solo? Se a explicação for, “porque pega mais” desconfie e questione! Essa é a mais frequente resposta para os inúmeros paradigmas da musculação. A mudança na posição dos pés, pernas mais afastadas…, o famoso, porque pega mais, pode ter também a explicação de, ineficiência mecânica, lembre disso, sentir o músculo queimar pode ser por cansaço ou ineficiência do movimento. Se feito como treino para outra modalidade, determinadas posições são melhores que outras, mas sempre pensando na funcionalidade que o exercício pode proporcionar.

É certo que nós professores não temos a matéria musculação na universidade e a academia é uma das portas de entrada para o mercado de trabalho. O professor se desenvolve ao longo dos anos por gostar, estudar o assunto e avaliar resultados, foi assim que deixei de explicar “porque pega mais” e ter argumentos.

Simplificar os exercícios, pelo menos na musculação, ainda é a melhor alternativa para a maioria do público de academia.

O assunto poderia se articular muito mais, porém de acordo com o histórico e objetivo de cada pessoa. Se pintou alguma dúvida ou curiosidade, me escreva!

Enzo Amato.