Long Distance Caioba!

Seis Irons e um destino, Long Distance Caioba!

Crônica por Witney Moriyama Jr.

Inscrições feitas, malas prontas, bikes revisadas e hotel reservado, nossa história para Caiobá 2013 começou na sexta a noite.

Nosso plano inicial seria, eu (Witney), Clodoaldo, Otávio e Gustavo ir com o novo e espaçoso carro do Clodoaldo, colocando três bikes em cima e uma dentro do porta-malas; mas na hora de instalarmos as calhas, nenhuma delas tinha as medidas compatíveis com o rack, então “reprogramamos” (lições do psicólogo Rafa Dutra) e decidimos ir com dois carros.

Os quatro mais humildes foram de carro enquanto que “as bonecas”, rsrsrsr….. Marcio e Du de avião… Saímos todos de casa no Sábado de manhã, praticamente no mesmo horário, e nós viajando de carro chegamos ao hotel nada menos que 10 minutos antes do Marcio e o Du que foram de avião…rs, é mole?

A viagem foi tranqüila, apesar da chuva o tempo todo, Gus e Tatá mandaram muito bem ao volante, garantindo uma excelente viagem. Estávamos torcendo pelo acerto da previsão de tempo, Domingo sem chuva, céu encoberto, temperatura máxima de 22°C e pouco vento, condições ideais para uma prova.

Fizemos Check-in no Praia Mansa Caioba hotel, a 500m do local da prova, nos instalamos em três apartamentos, dois atletas por quarto: os da elite Du e Marcio no 209, Tatá e Gus no 203, eu e Clodoaldo no 201. Sugeriram que o Clodoaldo ficasse no mesmo quarto que eu, sabendo que eu ronco demais, e que o Clodoaldo é surdo de um dos ouvidos…rs.

O Clodoaldo achou a sugestão legal, mas não imaginava que meu ronco era tão intenso… e no dia seguinte acordou surdo do outro ouvido também, rs.

Já instalados fomos almoçar no centro da cidade, paramos no mercado para comprar água e comida, e em seguida pegar o kit da prova. Caiobá é uma pequena cidade de veraneio muito simpática localizada no litoral paranaense que vale a pena conhecer, cidade simples, porém com um ambiente muito agradável.

De volta para o hotel, cada um foi arrumar as coisas para a prova e aproveitar para descansar um pouco. Sábado as 19h30 saímos para jantar num rodízio de massas. Estava lotado de atletas, pizzas de sobra, mas espaguete que é bom nada, a disputa entre as mesas pelo espaguete era grande. Eu e o Clodoaldo não dispensamos as batatas fritas, lasanha aos cinco queijos, pizzas etc… os mais comedidos ficaram somente nas massas.

Bem abastecidos de carboidratos e tudo mais, andamos até a praia para fazer digestão antes de dormir, aproveitamos para tirar esta inesquecível foto na praia mansa: seis Irons e um destino!

Da esq. para dir.: Eduardo Coimbra, Otávio Lazzuri, Gustavo Velozo, Marcio Bernardo, Witney Moriyama e Clodoaldo Oliveira.

Acordamos as 05h40 e em seguida fomos pro café da manhã.

Sentamos com o grande e veterano atleta Joachim Doeding e aprendemos mais uma: depois de ver o Marcio preparando o coquetel de suplementos o Joachim pergunta ao Marcio; conhece a sigla americana KIS? – O que é? – “Keep It Simple” rs.

O Joachim além de ser um grande atleta mostrou que é uma pessoa humilde.

Saímos do hotel as 06h50 e chegamos na transição as 07h00. A largada da prova seria as 08h00, mas a organização havia mudado, um dia antes, para 07h45. Porém tivemos tempo suficiente para deixar tudo arrumado para as transições, vestir a roupa de borracha e ir para largada.

O tempo estava excelente, conforme a previsão do Climatempo, temperatura entre 17 a 22°C, céu encoberto, sem chuva e sem vento.

Na praia mansa, local de largada, ficou visível que a primeira boia estava muito perto e dava impressão que o percurso seria menor. A natação foi de duas voltas, sentido anti-horário, passando por duas boias e uma pequena corrida na areia da praia entre as voltas. O mar estava calmo e a natação prometia ser legal também. Já na primeira boia o tumulto dos atletas fazendo o contorno era grande, mas na segunda volta, todos foram se espaçando e o nado foi um pouco mais tranqüilo.

O Márcio saiu na frente, seguido por mim, depois Clodoaldo, Otávio, Du e Gus

Logo na saída da Bike ainda perto da transição, um atleta se chocou comigo e quase cai, mas continuei a prova.

O animal do Clodoaldo, muito forte no pedal, logo me alcançou, tentei segui-lo por alguns minutos, mas vi que não dava e continuei no meu ritmo. O percurso da bike é um pouco menor que os tradicionais 90Km, com aproximadamente 81km. A primeira volta consegui fazer com uma média pouco superior a 36Km/h. o percurso estava fantástico, com asfalto muito limpo e quase totalmente plano, cercado de vegetação dos dois lados e com pouco vento na primeira volta. Tentei manter um bom ritmo na bike para não quebrar na corrida, porém um pedal forte o suficiente para superar meu resultado do ano anterior.

Pedalei bem a prova toda, mas sempre encaixotado no meio de pelotão, a pista é estreita e o grande número de atletas faz com que fique difícil achar espaço para pedalar respeitando os 7 metros de distância entre as bikes, como pede o regulamento da prova. Não cheguei a ser penalizado, mesmo porque seria injusto, pois eu não estava me prevalecendo de vácuo. Foi chato, mas por duas vezes o fiscal me chamou a atenção por eu estar muito perto da bike da frente. Este ano a fiscalização da prova atuou com muito rigor e segundo dados da Mundotri foram 107 penalizações com acréscimo de 8 minutos no tempo total e 51 atletas desclassificados por terem sido identificados no vácuo por mais de uma vez. Na segunda volta o vento aumentou no sentido do retorno para transição, fazendo com que minha velocidade média caísse um pouco. Já quase na transição, faltando uns 3km, escuto um grito forte… ESQUERDA, ESQUERDA…rs, era o Du chegando para me passar… Mas como sempre, “cachorro não larga o osso”, apertei também e o busquei novamente gritando para ele: ESQUERDA, ESQUERDA, rs indo assim até o final numa chegada histórica, eu e o Du entregamos a bike juntos!

O Tatá tentou me buscar na Bike, mas a distância entre nós se manteve constante e ele chegou à transição apenas alguns minutos depois.

Na transição para a corrida o Du foi mais rápido e saiu 30 segundos na minha frente.

Comecei a correr, procurando nos primeiros quilômetros, me adaptar e focar na técnica e mecânica do corpo do que com o tempo, mas o ritmo se encaixou desde o primeiro Km de maneira bastante uniforme e constante, próximo a 4’50”/Km, que mantive até o final da prova.

O Tatá não demorou a me passar na corrida logo na primeira volta, passou também o Du que se manteve na minha frente por pouco mais de um minuto e o Tatá que continuou abrindo cada vez mais, num ritmo alucinante, fechando os 21Km de corrida em 1h27. Vê se pode? Um tempo deste para quem estava com gripe, dor de garganta e febre antes de largar.

Fiquei triste e muito preocupado quando o Tatá passou por mim e disse que o Clodoaldo havia caído da Bike, mas não tinha notícias do estado dele.

Durante toda a corrida, procurei pelo Marcio, pois tinha rolado uma aposta de que ele não daria uma volta em mim, rs, quando procurei e não o encontrei, imaginei que tivesse parado, e foi isso que havia acontecido, ele teve o pneu da bike rasgado e abandonou a prova. Foi uma pena o Marcio ter abandonado, pois pelos meus cálculos ele não me pegaria desta vez…vai ficar pra próxima!

O Gus vinha logo atrás correndo muito forte, mantendo uma diferença constante entre a gente, e estava muito bem na prova.

Minha chegada foi sensacional, curti a prova toda, dei e fiz o que tinha de melhor e acabei inteiro, fazendo uma belíssima prova!

Meu melhor tempo/resultado numa prova de long distance: 4h23’25”.

  • Natação a 1min26seg/100m
  • Bike para 35,6 km/h de média
  • Meia maratona para 1h40
  • Primeira transição em 2’16” e segunda em 1’30”.

Foi só vestir a camiseta de finisher, colocar a medalha no peito e comemorar……Uhhuu!!

Parabéns a todos os amigos pela prova:

  • Animal do Tatá mesmo estando “zoado”……4h11;
  • O fortaleza Eduardo Coimbra……………………4h21;
  • Grande Gus superou o objetivo…………………4h40.

Marcio e Clodoaldo, “dois feras”, não completaram a prova desta vez, mas mostraram uma grande energia positiva a todos nós lá em Caioba.

Meu obrigado a todos,

Minha grande mulher Rosana, meus queridos filhos Heidi, Winnie e Hiro. Aos amigos e parentes. Ao Enzo Amato pelos treinos, Vanessa Pimentel pela Nutrição e Rafa Dutra pelo suporte pscicológico.

IRONMAN 70.3 – Wiesbaden (Alemanha) – Campeonato Europeu. Muita história pra contar…

Por Marcio Bernardo

Vou começar meu relato a partir de um passado bem recente. Em 2009 quando fiz a inscrição para o IRONMAN Brasil, decidi que faria 3 provas importantes no ano de 2010, o Internacional de Santos (distância olímpica) em fevereiro, o Ironman em maio e um 70.3 no segundo semestre, em algum lugar do mundo (foi escolhido Cancun que ocorreu em setembro e depois já aproveitei pra curtir as férias). Ano perfeito! Tudo ocorreu dentro do planejado! Sendo assim, porque não repetir a dose em 2011? Ótima idéia! Só faltava fazer o olímpico, o Iron e escolher um 70.3 novamente… Coisa fácil… Rs! Santos foi feito e com excelente tempo, 2:11, o IM também, 10:55! E agora, qual 70.3? Ó duvida cruel! Após olhar o calendário mais de “1000″ vezes, acabei optando por Wiesbaden, na Alemanha, pois além de não conhecer o país tinha outro motivo envolvido, visitar a matriz da Volkswagen em Wolfsburg, empresa que trabalho há quase 14 anos. Ok, decidido, inscrição feita, passagem comprada e hotel reservado!

Só um detalhe, tudo isso sendo sempre feito ao lado da minha esposa, companheira, parceira e tudo mais que existe de bom, Cinthia e, desde abril ao lado do Davi, nosso filho que deve chegar em Janeiro!

Apenas alguns dias para a prova e o bicho pegando na VW! Acabei perdendo 2 ou 3 treinos! Mas ok, os principais já haviam sido feitos, inclusive duas semanas antes, 80 kms de Bike na Estrada velha de Santos, a Serrinha, pra média de 37 km/h com muito vento, e a meia maratona de São Bernardo (prova dura com muitas subidas) pra 1:34! Confiança adquirida!

Semana da prova, que correria! (Inclusive com direito ao clipe da bike quebrado). Arrumação das coisas, muito trabalho mas finalmente chegou o dia do embarque, Quinta feira! UFA… Trânsito normal, feito o check in no fim da tarde e 11 horas de vôo tranquilo.

Sexta feira de manha, chegada a Frankfurt! A partir da imigração já deu pra perceber o quanto os alemães são organizados nas coisas que fazem! Nada de fila e apenas perguntas básicas. Tudo certo com o carro alugado e seguimos caminho pro hotel, que ficava em Wiesbaden!

Tarde livre! Retirada do kit na própria cidade de Wiesbaden (número 1000 de 2400 inscritos) visita à feira (que estava excelente, com praticamente todos os fabricantes de materiais esportivos pra Triathlon) e na loja oficial IM! Isso sim é uma loja de verdade (o Galvão, organizador do IM Brasil, tem q aprender muito) tudo o que se pode imaginar, tudo mesmo, toalha, mochila, camiseta, chaveiro, boné, moletom etc!

No início da noite, que mais parece dia pois escurece só depois das nove, Bike montada e treininho básico de 30 minutos só pra soltar os músculos, depois, jantar de massas sem miséria com direito a acompanhante, que não paga, e finalmente, sono.

Sábado de manhã, da cidade de Wiesbaden para Raunhein (mais ou menos 20 kms) para o check in dos equipamentos! A largada não é no mesmo local de chegada! Mais uma vez me impressionou a organização geral, não vou entrar em detalhes mas a logística dos caras é impressionante! Ah, só um ponto, fiz tudo isso de carro mas estão disponíveis ônibus da organização, bem como, transporte público “free” indo e voltando para as duas cidades!

Sábado fim de tarde, retorno ao hotel, check dos últimos detalhes, jantar e sono!

Domingo, dia da prova! O relógio estava pronto pra despertar as 4:40, 3 horas antes da largada mas nem precisou de despertador, as 4 eu já estava ligado pois foi difícil dormir legal devido ao fuso com diferença de 5 horas! Café da manhã tomado e roupa colocada, vamos embora, TÔ NA PROVA! A madrugada não era das melhores, frio e garoa. E quem falou que o GPS achava o sinal? Seguimos por 2 kms atrás do ônibus da organização, mas logo tudo voltou ao normal, inclusive o tempo, que abriu.

Cheguei ao local da largada com quase 2 horas de antecedência, estacionei o carro e caminhei para o lago! Essa distância era considerável, 20 minutos andando, mas não podia reclamar, afinal de contas, até mesmo o estacionamento era oficial da prova! Último check na Bike e fui pra largada! Ainda deu tempo de ver os profissionais, relaxar um pouco, colocar a roupa de borracha com calma e aguardar pelo horário da minha categoria.

Chegou a hora, 7:45! Agradeci imensamente a Deus por me dar, acima de tudo, muita saúde e por estar me proporcionando aquele momento tão mágico! Aproveitei para pedir proteção do começo ao fim da prova!

Foi dado o tiro. Começou a natação! Eu sabia que ali era o meu habitat, com roupa de borracha e temperatura da água agradável, tinha que fazer o meu melhor e já fui logo me distanciando do pelote! Foram 27 minutos, bom tempo, o 10º da categoria e o 70º do geral. Do lago até a área de transição ainda tinha uns 300 metros de corrida na areia. Coloquei tudo rapidinho e peguei a magrela, tudo em 4 minutos e dei inicio a modalidade mais difícil da prova!

O clima estava perfeito, nublado e aproximadamente 21 graus, mas pela altimetria eu já sabia que o ciclismo seria difícil, mas não tanto. Ao contrário do que muitos vão imaginar, eu não quebrei… Rs! Fiz aproximadamente 40 kms pra media de 36 km/h, quase 1h10 e olha que eu já tinha encarado algumas subidas. Mas nesse momento surgiu uma montanha gigantesca, a maior de todas elas, com quase 7 km, e era apenas a primeira daquele trecho até o final. Estrada Velha, Bandeirantes, Serra de Campos? Moleza! Resumindo, o percurso foi MUITO difícil, com muitas subidas, assim não teve jeito, a média começou a despencar e acabei fechando pra 3h17, ou seja, os 50 kms restantes fiz pra mais de 2 horas (abaixo de 25 km/h). Putz, não faço essa média nem em treino… Rs! No tempo fui o 138º da categoria e o 738º da geral! Afff…Que diferença da água!

No meio do percurso tendo em mente a dificuldade que ainda estava por vir acabei desencanando do tempo e comecei a focar no visual e curtição! Uma coisa eu digo, todo o sofrimento valeu muito a pena, me senti em uma etapa do Tour de France… Rs! O visual era maravilhoso, uma mescla de estrada e cidade, casas de interior e campos esverdeados, nem sei como descrever, além disso, gente torcendo e vibrando o tempo inteiro nos lugares normais e nos mais inusitados que se possa imaginar, famílias inteiras fazendo piquenique no meio da estrada ou até mesmo um churrasco de salsicha em suas casinhas, regado a muita cerveja da boa, simplesmente fantástico e inacreditável! Sem contar que as ruas e estradas estavam totalmente sinalizadas para os atletas e interditadas, ou seja, em nenhum momento tivemos contato com carros e muito menos ônibus e caminhões. E o pelote? Não existe! Cada atleta respeita um ao outro! Postos de hidratação a cada 20 kms e com direito a lugar demarcado pra jogar os squeezes e qualquer lixo. Nunca tinha visto isso numa prova! Putz, como alemão é certinho…! Acho que essas imagens jamais sairão da minha memória. Faltando 5 kms começou uma descida boa, nessa altura do campeonato só pensava em entregar a Bike e começar a correr. Nunca pensei que fosse nem sonhar com isso!

Bike entregue ao staff e sacola da T2 na mão! Só coloquei o tênis, viseira e ainda dei uma passada no banheiro. No total, mais 4 minutinhos. Agora era só curtir o final desse momento tão especial que estava vivendo em minha vida! Eu estava cansado mas ao mesmo tempo inteiro!

Novamente não acreditava no que estava vendo, a cada metro uma surpresa. A corrida passava na avenida principal, em frente ao casino, do lado do teatro e dentro do parque da cidade, ou seja, nos principais pontos turísticos! Foram 4 voltas. Assim como na bike, muita gente torcendo e vibrando durante todo o percurso, tinha até umas torcidas organizadas com bandas, dançarinas etc! Claro que não dá pra comparar, mas nem no IM de Floripa é assim, pois lá a galera fica concentrada só em 1 ou 2 km! A cada posto de hidratação, água, isotônico, coca cola, sal, fruta e gel sem miséria. Ah, tinha também esponja enxarcada com água pra se refrescar e o bendito lugar demarcado pra jogar o lixo… Hahaha!

Faltavam apenas uns 300 m, peguei a última pulseira de cor verde fluorescente e corri para o pórtico de chegada! Estava sentindo uma sensação estranha. Ao mesmo tempo, felicidade por estar terminando e tristeza pois não queria o final da prova. Fechei pra 1h42, exatamente dentro daquilo que havia planejado, média entre 4:40 e 4:50 min/km. Aqui ainda consegui me recuperar um pouco, pelo tempo fui o 64º na categoria e o 355º no geral!

 

Resultado final, 83º na categoria e 430º no geral! Muita história pra contar e uma sensacional experiência adquirida. Se Deus permitir quero repetir a dose novamente em 2012 pois vale muito a pena!

Muito obrigado a todos pela torcida! Valeu Coach Enzo (Bike/Run), Coach Mario (Swim), Van (nutri), parceiros de treino e amigos e família! Sem vocês nada disso teria acontecido! E claro, agradeço a Deus por ter conseguido completar a prova em perfeitas condições e a minha esposa Cinthia e o nosso filho Davi que se comportou e já está se acostumando com o clima das provas…rs!

Beijos e abraços

Marcio e Cinthia

Agora vou curtir as férias, saúde!