Limite individual.

Nosso limite físico é individual, particular e intransferível!

Pensei nesse tema quando terminava um treino de 30km, num calor desgraçado, me sentindo o super homem por ter corrido bem, no meu limite, num clima e terreno desafiador como parte da preparação para uma maratona. Logo em seguida imaginei que um ultramaratonista me acharia um tonto, porque 30km para ele é treino fácil, já que existem várias provas de corrida com mais de 200km. O que pensaria Amyr Klink, que já viajou da África ao Brasil num barco a remo, se eu dissesse que me orgulho de um dia já ter remado 25km? Foi então que o pensamento começou a viajar e percebi que se eu pensasse dessa forma, não poderia me orgulhar de nada que já tenha feito, porque sempre existirá alguém que já fez ou conquistou mais que eu. Aí lembro do Rafa Dutra, psicólogo dos meus clientes de Ironman, que diz que nos sentimos bem quando não nos comparamos com os outros. Assim eu posso achar que 25km é bastante, e que cada um deve saber o que é um desafio pessoal ou não! Todos nós temos nosso 100% para cada atividade, nosso limite, o que varia de pessoa para pessoa é onde fica o 100% de cada um, correr 100m para o Usain Bolt pode ser chegar a 9.60, pra mim é 14seg, para o Marilson a maratona pode ser abaixo de 2h07, pra mim é abaixo de 3h07 com muito esforço nos treinos e na dieta sei que meu 100% é esse, e me animo para alcançar isso um dia. É por isso que não aparecem vários como Messi, Bolt, Da Vinci, Robert Scheidt e tantos outros talentos que se destacam ou destacaram nas suas áreas de atuação, seja ela esporte ou não. Não basta treinar para ser o melhor! É uma série de características, predisposições que aliadas ao treinamento e dedicação que selecionam os “candidatos a melhores”

Ironman 2008, feliz por chegar em 12h17, sabendo que pouco menos de 11 horas é meu limite, abaixo de 10 horas impossível, enquanto os primeiros fazem 8h15.

Basta ser espectador durante uma corrida de rua, algumas nunca chegarão a correr tão rápido quanto outras, treinando da forma que for e com quem for. É errado dizer que  você deve ser “o melhor” nisso ou naquilo, todos temos nosso 100% para cada atividade, não é fácil chegar nele, precisamos nos dedicar, nos preparar e nos orgulhar quando chegamos perto dele, mesmo que não seja impressionante para outros, dentro de nós mesmos sabemos que não foi fácil. Talvez para uns seja correr 10km abaixo de 40′ para outros 50′ e outros que querem chegar antes de 1h, todos se esforçam muito. Claro, isso é aceitável quando falamos de um hobby feito por prazer e sem cobranças, mas se no seu trabalho o desempenho é muito abaixo do esperado, talvez aquele não seja o trabalho certo pra você, seu 100% naquela área é muito fraco. Seu talento serve em outra atividade.

São comparações onde o esporte ajuda a enxergar situações da vida diária. Existem muitas modalidades esportivas e muitas áreas de trabalho, você tem um talento e espero que encontre onde ele se destaca!

Se concorda ou discorda, deixe sua opinião!

Enzo Amato

7 ideias sobre “Limite individual.

  1. Sei que é um tema amplo e difícil de abordar em poucas linhas, mas queria comparar os extremos e deixar claro que a intenção é mostrar que não basta querer largar na frente na São Silvestre achando que dá pra ganhar. Queria dizer que cada um tem seu limite, nós amadores sempre podemos melhorar, ao longo dos anos, com a prática, aprendizado, vivência e todas as atitudes saudáveis que ao longo dos anos faz diferença… mas que melhoraremos até certo ponto, mesmo que esse ponto seja desconhecido por enquanto, é certo de que a busca para melhorar é constante, mas não pode ser frustrante ao ser comparada com os melhores.

  2. Ótimo texto Enzo! Vivo agora neste dilema de expandir o limite conhecido. Depois de 3 maratonas resolvi me arriscar em terrenos (literalmente) desconhecidos: uma ultra em montanha. Vou correr Urubici. Sei que ninguém sai incólume daqueles 52K. Mas o teste físico e mental começa meses antes, você sabe. Chegarei a rodar 102K por semana, muito acima de minhas rotinas pré-provas. Mas, como saber se “bateremos no teto” de nossas pretensões ou atingiremos nossos objetivos, sem ao menos tentar? Grande abraço

    • Rodrigo, pode crer que seu limite ainda é desconhecido, daqui muitos anos de provas e treinos você vai saber mais ou menos onde ele fica, mas mesmo assim vai continuar animado para buscar e arriscar mais, e tudo isso com mais bagagem e kms rodados. O primeiro ano de treino para um desafio mais longo é mais difícil do que os anos seguintes, mas não quer dizer que basta querer para fazer uma prova de 200km, alguns ficam pelo caminho durante os treinos.
      Desejo-lhe sorte nos treinos para esse novo desafio, que vai fazer sua régua de limites subir.
      Abraço.

  3. Bela matéria Enzo, estou de pleno acordo, mas mesmo que cada um tenha um tempo diferente e não chegue nem perto daqueles que vencem uma prova, é normal que esta pessoa elm algumas situações sinta que não fez seu 100%.
    Ou seja, termina uma prova achando que não fez o seu melhor….
    Acho que neste momento a pessoa não fica contente com o resultado……

    • Realmente Witney saber que não deu 100% fará você ser mais ousado na próxima e evoluir aos poucos, mas ultrapassar o limite cedo demais certamente te faria sofrer demais numa prova. Ao menos no esporte amador, tentar 110% é bem pior do que executar 90%. Já na vida profissional nem sempre.
      Depende bastante da experiência da pessoa naquelas situações.
      Abraço.

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