Kailash Trail Run (KTR) c/ vídeo.

Foi a prova mais técnica que já fiz.

Olhei no relógio ao passar os 10km e não podia acreditar que marcava 3hs de prova, pensei que em algum momento as coisas ficariam mais fáceis, mas passei os 19km com mais de 6hs e precisava chegar nos 30km para completar o percurso.

Saí de SP as 5hs da manhã e cheguei em Passa Quatro – MG 3hs depois, além de muitos mineiros tinham muitos cariocas e paulistas também, estacionamento gratuito no ginásio, onde retirei o kit recheado e peguei uma van que levava os atletas até a largada, no refúgio Serra Fina a 1400m de altitude. Largada as 11hs para os que corriam 30km e as 14hs para a turma dos 15km. Eram mais de 250 atletas no total.

Tessa, sou fã dela!

Largando de 1400m.s.n.m. chegaríamos aos 2500m, mas antes disso, ainda na subida eu e outros 20 corredores nos perdemos lá pelo km 5, haviam fitas demarcando o percurso, mas achei que eram insuficientes e pouco visíveis nesse primeiro morro, o que acabou fazendo com que uma manada errasse o caminho, perdendo uns 20min até voltar para o percurso, mas isso é facilmente corrigível para ano que vem.  A vista lá do alto era impressionante, estava numa crista com paisagens a perder de vista para os dois lados. Voltamos ao ponto de largada para reabastecer, comer algo, para encarar outro morro até 2330m, e enquanto eu completava metade da prova em 4h23, o segundo colocado passava pelo pórtico de chegada, vendo isso achei que a segunda metade seria mais rápida, mas era subida pra valer com muitos obstáculos naturais e até cordas em alguns trechos, o que fazia a prova muito técnica e me deixava bastante lento, por outro lado quando escureceu, já na segunda metade da prova, haviam vários refletores nos tocos e árvores que nos guiavam. Nunca vi tanta gente escorregando na minha frente e nunca caí tanto numa corrida, mesmo vendo onde a pessoa da frente havia pisado e porque tinha escorregado eu não conseguia evitar. Quando lembro do percurso me impressiono mais ainda com os primeiros colocados que fizeram tudo em pouco mais de 4hs.

Faltando meia hora para chegar ao cume do segundo morro um staff nos fazia parar para vestir o corta vento e preparar a lanterna, a temperatura já era de 12º e quando chegamos no alto não se via nada por causa da forte neblina, nesse ponto outro staff nos avisava que estávamos no km 19, olhei no meu relógio que marcava 6h22 de prova, a essa altura já acreditava no relógio por tudo o que havia passado pra chegar naquele ponto, começamos a descer, ainda sem muita velocidade, pois o terreno era muito escorregadio, íngreme e acidentado como todo o resto havia sido. Ainda em casa, quando lia o regulamento, achava exagero levar lanterna para uma prova de 30km que começava as 11hs, mas a cada km feito em mais de 20min. via que não, e paguei caro pelo desleixo, quando liguei minha lanterna ainda faltavam 8km, as pilhas eram velhas e duraram 1min, fiquei um tempo entre 2 atletas, mas vi que era arriscado demais, perguntei se alguém tinha pilhas sobressalentes e logo um trio de amigos, me ajudou, (depois um deles leu esse texto e fiquei sabendo que eram da equipe Pinga Fogo, do Corpo de Bombeiros Militar de São Lourenço – MG, Augusto, Anderson e André), aquelas pilhas valiam ouro pra mim naquele momento e fiquei muito agradecido, o rapaz respondeu que tinha certeza que eu faria o mesmo por ele se ele precisasse, verdadeiro atleta e ser humano. Pois é, minha cabeça foi preparada para correr 30km, mas não imaginava o que vinha pela frente, distribuir esses 30km em 2 morros altos e íngremes me deu uma nova dimensão do que seria a prova, e que não devia dimensioná-la por kms, já que levei mais de 8hs para concluir, mais da metade dos atletas chegaram a noite, todos que pude ver ao meu redor apoiaram as mãos em árvores, no chão e cordas, ou seja, as luvas também não eram exagero, 10% dos 146 que largaram nos 30km desistiram, os 15km não eram menos dignos, os corredores passaram por um dos morros e os primeiros colocados levaram quase 3hs. Os concluintes dos 30km ganharam um fleece (agasalho) da Kailash, que depois que as dores musculares e arranhões passarem ele vai representar tudo o que passamos e o que foi essa prova, uma bela recordação. KTRseries.com.br

Aos que pretendem fazer ano que vem.

  • Roupa de frio, corta vento é essencial na mochila;
  • Proteja as pernas de arranhões usando calças;
  • Boné e óculos protegem a cabeça e olhos;
  • Protetor solar, quanto mais altitude, mais o sol queima;
  • Tênis de trilha, sim ou sim;
  • Muita musculação, agachamento e afundo como parte do treino;
  • Luvas, a todo momento se usa as mãos para segurar e apoiar;
  • Bastão de trekking, nessa prova ajuda mais nas subidas;
  • Comida e líquido para muitas horas;
  • Lanterna de cabeça, com pilhas novas, essa não esqueço mais;
  • Cabeça preparada para várias horas de prova e muito desafio!!!!!!

Assista ao vídeo que fiz durante a corrida.

Enzo Amato