Ironman, 5 dicas para ser sonho e não pesadelo.

Há poucos dias de mais um Ironman Brasil deixo as dicas do Edu Coimbra novamente aqui no Blog. São textos curtos que podem fazer toda diferença na sua prova, afinal 98% dos atletas são amadores. Serve para qualquer amigo/a que vai para uma prova longa. 

Largada Ironman Brasil 2012
Foto: MidiaSport

  •  Qual sua Vibe? 

…É muito fácil você ficar nervoso e qualquer detalhezinho te deixar muito pilhado.
Uma simples publicação de um treino fantasioso, um texto de jornal ou revista, uma projeção climática, uma piadinha de mal gosto dos amigos, um sarrinho da turma do trampo, uma mentirinha de outro atleta etc, podem te deixar a mil… para que você não caia nessa pilha desvairada, em primeiro lugar você tem que definir sua VIBE, o que você está procurando nessa prova… o que nela te deixará feliz… e o que você deve fazer pra que tudo saia conforme planejado (Clique para ler o texto).

  • Acabou antes de começar

Mais fácil do que chegar inteiro para a prova é chegar quebrado, cansado física e emocionalmente (Clique para ler o texto).

  • Amole bem seu machado

Se tenho três dias para cortar uma árvore, passarei dois deles amolando meu machado… Essa é a máxima!

Num evento tão grande como esse não dá para abrir mão de um bom planejamento. Tente elencar todos os eventos que envolvem a prova. Família, estadia, traslado, alimentação, equipamentos, acessórios, pessoas, trabalho, dinheiro etc, etc, etc. Desmembre cada em desses eventos em sub-eventos até chegar ao menor nível possível. Daí para frente separe esses micro eventos em dois times: variáveis controláveis e variáveis não controláveis (Clique para ler o texto).

  • 4ª Certeza que dá para (se) ajudar

Se tem “algo” que respeito no Ironman é a sempre espetacular participação dos voluntários.

É muito bacana o envolvimento e o compromisso que eles têm com o que estão fazendo. São atenciosos, e muito prestativos, estão lá por vários motivos, já fizeram a prova, sonham em fazer um dia, tem amigos fazendo, gostam do esporte e principalmente porque gostam de ajudar pessoas. Todos os postos de abastecimento no Ironman tem alto astral e se você demonstrar carinho eles retribuem em dobro (Clique para ler o texto).

  • 5ª Cuidado com o Cyborg

Até o km 90 da bike todo mundo é Ironman… até quem não treinou direito chega lá.

O perigo dessa fase é você exagerar na intensidade, é você achar que o cyborg que existe dentro de você (fruto da sua preparação) lá permanecerá até o fim. O erro capital é você dimensionar a pegada pelo “aqui e agora” e começar a fazer o que nunca fez. Se o seu horizonte for apenas o “aqui e agora” você poderá imaginar o seguinte: ” nossa, como estou bem… vou ganhar um tempinho”… campo minado!!! (Clique para ler o texto)

 

Ironman, dica pré prova nº5.

Cuidado com o Cyborg!!!!!

Por Edu Coimbra

A prova é muito grande e a preparação não poderia ser diferente.
Todos nós estamos bem treinados, supercompensados no carboidrato, com o tanque cheio de energia, estoques 100% de glicogênio muscular e com fome de asfalto. A cabeça já está empurrando!

Até o km 90 da bike todo mundo é Ironman… até quem não treinou direito chega lá.

O perigo dessa fase é você exagerar na intensidade, é você achar que o cyborg que existe dentro de você (fruto da sua preparação) lá permanecerá até o fim. O erro capital é você dimensionar a pegada pelo “aqui e agora” e começar a fazer o que nunca fez.Se o seu horizonte for apenas o “aqui e agora” você poderá imaginar o seguinte: ” nossa, como estou bem… vou ganhar um tempinho”… campo minado!!!

Bom, a grande sacada em uma prova como essa é o exercício constante da sabedoria. É não limitar-se em avaliar a condição de momento, mas sim em como prorrogar ao máximo uma condição boa (ou como melhorar uma ruim). Em miúdos… é ter a consciência de que, “não basta eu estar bem” mas sim “o que eu tenho que fazer para permanecer bem!”

Se você dimensionar a intensidade  da prova no “aqui e agora” poderá ser o começo do fim, principalmente até a primeira metade.

Portanto, a dica de hoje é a seguinte: utilize sua sabedoria para prorrogar ao máximo sua boa condição física desde o inicio da prova, não caia na empolgação do cyborg que largou junto com você as 7 da matina, ele te deixará na mão quando mais você precisar.

Ironman, dica pré prova nº4.

Certeza que dá para (se) ajudar!

Por Edu Coimbra

Se tem “algo” que respeito no Ironman é a sempre espetacular participação dos voluntários.

É muito bacana o envolvimento e o compromisso que eles têm com o que estão fazendo. São atenciosos, e muito prestativos, estão lá por vários motivos, já fizeram a prova, sonham em fazer um dia, tem amigos fazendo, gostam do esporte e principalmente porque gostam de ajudar pessoas. Todos os postos de abastecimento no Ironman tem alto astral e se você demonstrar carinho eles retribuem em dobro.

Em contraste infelizmente, há atletas que acham que a prova e tudo que faz parte dela existe porque ele existe. Pensando assim eles tratam os voluntários com muita falta de respeito, arrogância e ignorância. E o que é pior… vê-se essa extrema falta de educação com uma frequência muito grande.

Por tudo isso é que respeito ainda mais o voluntariado… procuro retribuir ao máximo a atenção por eles dispensada.

Uma forma bastante eficiente de otimizar a contribuição deles é bem simples.

Na natação:

Assim que você sair da água e for procurar ajuda para tirar sua roupa de borracha não deixe os voluntários confusos… aponte o dedo indicador para um deles e diga firme: “VOCÊ!!!!!”   A partir daí ele terá total atenção direcionada para você e a “operação” como um todo terá mais sucesso e será mais eficaz.

Sobe a ladeira rindo quem vai pra curtir a prova. Enzo e Edu no Ironman BRA 2011 lá pelo km 60.

Na bike:

Ao se aproximar de um ponto de transição você verá uns 10 voluntários olhando pra você esperando um pequeno sinal para poder atendê-lo da melhor forma possível, pois bem… quanto mais tempo você demorar, mais complicada vai ficando a situação para os dois lados.
Defina previamente sua necessidade e repita o procedimento da saída da natação… aponte para um voluntário e diga firme “VOCÊ ÁGUA!!!!” ou “VOCÊ GATORADE!!!”.

O bacana disso é o seguinte… sem definir um voluntário todos estão mais ou menos concentrados em você. Na medida em que você define uma pessoa a atenção deste passa a ser 100% sua e você libera os outros 9 voluntários para atenderem os demais atletas. Simples e eficaz!!!!

Na corrida:

Repita o procedimento, mas com uma diferença, como a velocidade é menor do que a da bike, dá tempo de você agradecer e retribuir um pouco da gentileza e carinho dispensados.

Acredite, agradecer aos voluntários (staff) vai te motivar muito na prova, faça o teste e me conte depois.

Galera Show, nos vemos logo mais!!!!

Edu Coimbra

Leia também as outras dicas:

 

Ironman, dica pré prova nº3.

Amole bem seu machado!

Por Edu Coimbra

Daqui para frente a preocupação não deve ser exclusivamente com o corpo. Nossa cabeça está a milhão podendo facilmente entrar em colapso.

Essa tensão existe e é inevitável, porém podemos facilmente aliviá-la. A dica é: amolar bem o machado!
Como assim?

Se tenho três dias para cortar uma árvore, passarei dois deles amolando meu machado… Essa é a máxima!

Num evento tão grande como esse não dá para abrir mão de um bom planejamento. Tente elencar todos os eventos que envolvem a prova. Família, estadia, traslado, alimentação, equipamentos, acessórios, pessoas, trabalho, dinheiro etc, etc, etc. Desmembre cada em desses eventos em sub-eventos até chegar ao menor nível possível. Daí para frente separe esses micro eventos em dois times: variáveis controláveis e variáveis não controláveis. 

As variáveis controláveis dependem quase que exclusivamente de você: revisão da bike, compra da suplementação da prova, contratação do taxista, itens de reserva, pagamento da estadia, quem vai ficar com o cachorro, quem vai tratar do periquito, fardamento se frio, fardamento se calor, simulação de transição, simulação de troca de pneu etc.
As variáveis não controláveis são aquelas que não dependem de você: condições climáticas, trânsito, atraso do vôo etc. Para essas você tem que ter um bom plano de contingência.

Por quê essa papagaiada?

Simples: uma variável controlável negligenciada e que aparece na hora errada estraga tudo! Frita sua cabeça e você entra em parafuso, portanto, livre-se de todas elas na medida do possível.

Lembro de um exemplo que aconteceu em 2011: o horário em que chegamos para a largada da prova é uma variável controlável, depende de nós. É nosso hábito chegarmos 1h30 adiantado (alguns preferem chegar atrasados). Assim que chegamos na transição e fomos abastecer as bikes o Prunonosa gritou: “kct… meu pneu furou!” Correria geral…” kd mecânico?”…” tiro tudo da bolsinha ou não?”… “quem tem bomba?” E o locutor dizendo: a transição fechará em 20min… 15min… 10min… 5min… Socorro!!!!!

Resumo: Se você negligenciar a hora de chegada para a largada não há problema… desde que não ocorra nenhum problema…Mas se Deus cochilar ou não conseguir acudir todos ao mesmo tempo tua vaca vai pro brejo com chifre e tudo. Ah… e nenhum amigo vai poder te ajudar porque ele também está no “salve-se quem puder” 

Amole bem seu machado antes de cortar a árvore!!!!!! Livre-se das variáveis controláveis o quanto antes possível e estabeleça um bom plano de contingência para as incontroláveis!!!!!

Edu Coimbra

Leia também as outras 4 dicas do Edu.

Ironman, dica pré prova nº2.

Acabou antes de começar.

Por Edu Coimbra

Agora não é mais físico, faltando duas semanas a atenção deve ser redobrada… Atenção com o corpo e a mente.

Mais fácil do que chegar inteiro para a prova é chegar quebrado, cansado física e emocionalmente.

Descanse para chegar bem disposto e de tanque cheio.

No atual momento pouca coisa pode ser feita para melhorar o seu desempenho na prova, um bom descanso, p.ex, pode ajudar bastante, mas menos coisas ainda poderão ser feitas para arruinar com tudo… p.ex. errar na intensidade ou no volume de um único treino daqui para frente não será mais perdoado, nem dará para ser consertado… pagarás a conta na prova… certeza absoluta!

Na dica 1 falei do cansaço emocional… livre-se das variáveis controláveis.  Hoje estou falando do cansaço físico… obedeça seu treinador e compartilhe com ele a sua percepção sobre si mesmo.

Eu uso a estratégia de quase sempre treinar sozinho… não tenho referências  dos colegas… não tenho motivação para acelerar… não tenho uma competiçãozinha caseira para vencer… não tenho parâmetros técnicos, fisiológicos e principalmente emocionais que possam me desmotivar ou me levar ao cansaço.

Na dúvida tenha uma certeza: o descanso te fará melhor proporcionalmente do que treino errado.

Portanto, NÃO DEIXE SUA PROVA ACABAR ANTES DE COMEÇAR, DESCANSE!!!!!

Edu Coimbra

Leia também as outras 4 dicas do Edu.

Ironman, dica pré prova nº1.

Tive a oportunidade de poder treinar o Edu para seus primeiros 3 Ironman. Para muitos o Ironman é um desafio individual, mas se feito em grupo sob uma certa perspectiva ele se torna uma experiência de vida, o Edu sabe colocar as palavras melhor do que eu pude fazer nesses 7 anos ligado à essa prova, e gentilmente se ofereceu para dar dicas ao meu grupo de atletas que vai debutar em 2014, essas dicas foram pingando no grupo do Whatsapp, mas de tão úteis e bem descritas não podia deixá-las ali, para um pequeno grupo de pessoas, por isso vou dividi-las com vocês, espero que gostem tanto quanto eu.

 

Qual é sua VIBE?

Por Edu Coimbra

Faltando 2 semanas a “tensão” aumenta. Esse estresse é muito diferente daqueles do dia-a-dia. É especial paca… mas traiçoeiro paca. Todo o circo é motivador, faz parte, é muito gostoso, deve ser curtido e degustado e acima de tudo deve te fortalecer, entretanto, se não for domado pode ter o efeito contrário.
É muito fácil você ficar nervoso e qualquer detalhezinho te deixar muito pilhado.
Uma simples publicação de um treino fantasioso, um texto de jornal ou revista, uma projeção climática, uma piadinha de mal gosto dos amigos, um sarrinho da turma do trampo, uma mentirinha de outro atleta etc, podem te deixar a mil…
Chegando em Floripa essa situação é multiplicada por 100. Aquilo respira esporte, respira triathlon. Os pelos ficam de pé. Todas as bikes parecem ser melhores do que a sua, todos os atletas (com roupinhas de marca) parecem estar mais treinados e fortes do que você. Bate um sentimento de inferioridade catastrófico.  Alguns nadando, outros correndo e muitos pedalando e ostentando suas “poderosas” magrelas.
De fato… uma pequena parte disso acontece,  mas uma parte gigantesca é fantasia, emerge da sua cabeça,  das suas fraquezas internas… e nesse momento se alguém te fala algo, se você vê ou lê algo… a pilhagem vem a milhão!
O que fazer então nessas duas semanas?
Simples… para que você não caia nessa pilha desvairada, em primeiro lugar você tem que definir sua VIBE, o que você está procurando nessa prova… o que nela te deixará feliz… e o que você deve fazer pra que tudo saia conforme planejado.
Ao definir bem a sua VIBE você começa a perceber que cada um dos atletas que lá estão têm as suas. Da elite é: tudo ou nada, ganhar, ou no mínimo chegar no pódio… parar no meio da prova (se poupar para próxima se não for possível atingir o objetivo).
Dos amadores… aí tem de tudo: vaga pra Kona, recorde pessoal ou, simplesmente, chegar.
Quando fiz meu primeiro Iron eu defini meus objetivos… meu tesão era chegar feliz, inteiro, curtir e celebrar minha saúde,  minha família, meus amigos e minha relação de 35 anos com o esporte. E para isso minha bike era perfeita, minha dieta perfeita, minha roupinha sem marca perfeita, minha  Nutricionista, Coach e Psicólogo perfeitos. Foquei, blindei e domei  as emoções com foco na minha VIBE. Me senti o cara mais forte do mundo… Minha prova foi MARAVILHOSA!!!
Tudo deu perfeitamente certo… mas eu ainda tinha uma bala na agulha, mas não precisei usar… a prova é muito longa e muitos imprevistos podem acontecer… e nessa hora seu arsenal de contenção é indispensável para que você se mantenha motivado e com foco no seu resultado. 
Portanto… a primeira dica é simples, mas ao mesmo tempo muito delicada:
NÃO SE DEIXE PILHAR ALÉM DAQUILO QUE É “SAUDÁVEL” E MOTIVADOR. UMA BOA ESTRATÉGIA É DEFINIR CLARAMENTE SUA VIBE E ENTENDER QUE CADA UM TEM A SUA. FOQUE NO SEU RESULTADO E DEFINA UM ABRANGENTE ARSENAL DE CONTENÇÃO.  ENTENDA TODO O RESTANTE COMO SENDO UM GRANDE CENÁRIO ARMADO PARA A CELEBRAÇÃO DA SUA VITÓRIA.

Ótima prova!!!!!!

Edu Coimbra

Leia também as outras 4 dicas do Edu.

TriRex 2013

Crônica por Edu Coimbra.

Vou ou não vou?

Assim começou a minha prova. Com uma tremenda dúvida. Tinha acabado de chegar do ½ Iron de Caiobá, meio cansadão e até abri mão do treino de Campos do Jordão com o Enzo e equipe.

O tempo foi passando e na segunda-feira antes da prova decidi fazer a inscrição. Qual modalidade? Triathlon? Duathlon? Nunca fiz um Duathlon, até estou com uma boa bagagem de Caiobá, descansei certinho e treinei forte na última semana.

Decidido! Duathlon! Raciocinei: se eu tirar o que não presta (natação) deve sobrar o que presta… Tô na prova? Não, não estou na prova! Inscrições encerradas no site oficial, o ativo.com fora do ar e  Webrun também com inscrições encerradas. “Caramba… quem mandou cochilar!”

Mandei um e-mail para a organização da prova solicitando um “boizinho” para o atrasadinho. Prontamente veio a resposta: “Atrasadinhos também são bem vindos, faça a transferência bancária no banco tal, conta corrente tal e preencha a ficha de inscrição”.

Opa! Agora eu estou na prova!

Tudo pronto, praticamente não dormi da sexta para o sábado pois meu filho Lucca tinha uma festa de 15 anos que terminou as 4 da matina e eu tinha que estar em Brotas as 08:30h para o passeio com as crianças, na tal Tirolesa do Voo do Tarzan com trilhas e banho de cachoeira (o combinado era que o sábado seria das crianças).

Região de natureza exuberante… pés encharcados, pernas cansadas, fome, sede, dores nas costas…  tudo muito adequado  para quem vai participar de uma prova na manhã do dia seguinte.

Fim do passeio, de volta na cidade, almoço, corpo dolorido, cansaço, sono, mas… tivemos que buscar o kit da prova a 35 km de Brotas e depois voltar mais 40km até a pousada. É do jogo!

Já na pousada um último pecado, e dentro da geladeira da Dna Helena. Perguntei:

– Aquela Coca Cola, de garrafa, está bem gelada?

O filho da Dna Helena responde:

– Está sim… pode sentar que levo para o senhor!!!

Que sonho, a danada estava quase congelando.

Banho, jantar de massas, sono dos anjos.

Domingo, 5h da manhã, todos de pé para os preparativos. Barba feita, café da Dna Helena e partimos para o Broa Golf Resort  local da prova.  Bike montada na transição, aquecimento e as 07:30h a largada.

No duathlon tivemos 5km de corrida, 40 Km de Bike finalizando com 10km de corrida. O triathlon abriu com 1900m de natação e o restante igual ao duathlon.  As largadas são simultâneas. Antes da prova fiz um cálculo simples: se eu corresse os 5km iniciais para uma média de 4:15/km chegaria na transição para a bike junto com os primeiros atletas do triathlon, que normalmente nadam a distância de 1900m para 21 ou 22 minutos.

Na veia! Cheguei com quase 22min, em terceiro no duathlon e os primeiros do triathlon já estavam saindo da água quando peguei a magrela, cerca de 1,5min atrás de mim.

Ainda dentro do hotel passei pelo segundo do duathlon e,  na rodovia, antes do final do primeiro km, ultrapassei o líder assumindo essa posição. Beleza, meu pedal é forte e vou tentar me sustentar até onde der (pois sabia que o pessoal do triathlon viria babando para cima).

Nesse momento aconteceu um fato muito interessante e que me motivou bastante: o motociclista da organização da prova estava posicionado à minha frente, conduzindo o primeiro colocado geral (que era eu) pelo percurso do ciclismo. Passou pela minha cabeça uma série de imagens de todos aqueles filmes que já vi, de todos os líderes assistidos pelos batedores de moto, das Voltas, Giros e Tours do ciclismo, dos Irons, das Maratonas, etc, etc, etc. Caraca, guardando as devidas proporções, obviamente, mas aquilo estava acontecendo comigo.

Na primeira perna dos 10km, após o retorno, pude perceber a real distância entre mim e os atletas mais próximos que eram do Triathlon e que estavam a mais ou menos 1,5 min atrás.

Como se não bastasse, eu ainda recebia “injeções” de ânimo: toda vez que uma outra moto da organização, ou da arbitragem da prova, emparelhava ou cruzava com o motoqueiro que me assistia este gritava: “ Estou com o líder!!! Estou com o líder!!!” Eu não me aguentava, dava risadas: kkkk, “Esse cara sou Eu!”

Primeira volta de 20km concluída, retorno feito e motivado eu continuei gostando da “brincadeira”, a distância se manteve e veio o pacto da pedra: é o seguinte… dificilmente essa situação acontecerá comigo novamente, sou o líder geral das duas categorias, peguei a bike com 5km de corrida nas pernas, os caras estão mais inteiros, mas, se eu fizer o retorno dos 30km em primeiro ninguém mais vai me pegar, não vou largar essa moto até a transição.

Dito e feito! Coloquei a faca nos dentes, fiz força, entrei no Resort em primeiro e entreguei a bike na frente. Maravilha! Estava muito feliz!

Saí para correr os 10km e logo no final do primeiro km senti um princípio de cãibra nas duas pernas, reduzi um pouco meu ritmo, tentei relaxar e os dois primeiros atletas do triathlon me passaram. Me concentrei nas passadas, as dores foram passando e o ritmo voltando. A meta agora era vencer a prova geral do Duathlon.

Faltando aproximadamente 2km meu brother Marcio (quis o destino que nossos primeiros pódios acontecessem no mesmo dia)  me passou, muito forte, veloz e ainda buscando sua melhor posição no Triathlon.

CAMPEÃO GERAL DO DUATHLON TRIREX 2013, COM 02:08’28”

Comecei a olhar para traz, preocupado com o meu cansaço e com os adversários. Forcei muito na Bike. Não sabia se aquele que vinha a alguns metros atrás era ou não da minha categoria… Apertei o ritmo espremendo minhas últimas energias e, faltando 500m, tudo isso desapareceu, não olhei mais para traz e já estava com a certeza da vitória: SINTO MUITO, MAS ESSA É MINHA!!!!

 Foi muito bacana e confesso que é muito difícil compartilhar essas emoções com outras pessoas, principalmente com aquelas que não me conhecem ou que não são do meio esportivo. Procuro tomar o cuidado de não transmitir uma ideia imodesta, apesar de saber que corro esse risco na medida em que estou falando de mim mesmo.

Minha motivação está em documentar minha história esportiva, compartilhando, incentivando e promovendo essa prática seja ela qual for. Mostrar que uma vitória não tem um tamanho relativo quando comparado a algo maior, ou que está associada a um lugar no pódio, mas sim que tenha uma dimensão íntima para cada atleta ponderada pela dedicação versus realidade versus resultado final.

Pensando dessa forma as vitórias (ou derrotas) são referências individuais (só suas) pelo simples fato de só você saber das verdadeiras circunstâncias da jornada que te fizeram chegar lá. Você não será um campeão para ninguém antes de sê-lo para si mesmo.

Estou muito feliz por ter vencido principalmente pelas tais circunstâncias que só eu sei quais são. Por isso me sinto um verdadeiro Campeão!

Dedico aos meus Pais, Irmãos, Esposa e Filhos

José Eduardo Osias Coimbra

Long Distance Caioba!

Seis Irons e um destino, Long Distance Caioba!

Crônica por Witney Moriyama Jr.

Inscrições feitas, malas prontas, bikes revisadas e hotel reservado, nossa história para Caiobá 2013 começou na sexta a noite.

Nosso plano inicial seria, eu (Witney), Clodoaldo, Otávio e Gustavo ir com o novo e espaçoso carro do Clodoaldo, colocando três bikes em cima e uma dentro do porta-malas; mas na hora de instalarmos as calhas, nenhuma delas tinha as medidas compatíveis com o rack, então “reprogramamos” (lições do psicólogo Rafa Dutra) e decidimos ir com dois carros.

Os quatro mais humildes foram de carro enquanto que “as bonecas”, rsrsrsr….. Marcio e Du de avião… Saímos todos de casa no Sábado de manhã, praticamente no mesmo horário, e nós viajando de carro chegamos ao hotel nada menos que 10 minutos antes do Marcio e o Du que foram de avião…rs, é mole?

A viagem foi tranqüila, apesar da chuva o tempo todo, Gus e Tatá mandaram muito bem ao volante, garantindo uma excelente viagem. Estávamos torcendo pelo acerto da previsão de tempo, Domingo sem chuva, céu encoberto, temperatura máxima de 22°C e pouco vento, condições ideais para uma prova.

Fizemos Check-in no Praia Mansa Caioba hotel, a 500m do local da prova, nos instalamos em três apartamentos, dois atletas por quarto: os da elite Du e Marcio no 209, Tatá e Gus no 203, eu e Clodoaldo no 201. Sugeriram que o Clodoaldo ficasse no mesmo quarto que eu, sabendo que eu ronco demais, e que o Clodoaldo é surdo de um dos ouvidos…rs.

O Clodoaldo achou a sugestão legal, mas não imaginava que meu ronco era tão intenso… e no dia seguinte acordou surdo do outro ouvido também, rs.

Já instalados fomos almoçar no centro da cidade, paramos no mercado para comprar água e comida, e em seguida pegar o kit da prova. Caiobá é uma pequena cidade de veraneio muito simpática localizada no litoral paranaense que vale a pena conhecer, cidade simples, porém com um ambiente muito agradável.

De volta para o hotel, cada um foi arrumar as coisas para a prova e aproveitar para descansar um pouco. Sábado as 19h30 saímos para jantar num rodízio de massas. Estava lotado de atletas, pizzas de sobra, mas espaguete que é bom nada, a disputa entre as mesas pelo espaguete era grande. Eu e o Clodoaldo não dispensamos as batatas fritas, lasanha aos cinco queijos, pizzas etc… os mais comedidos ficaram somente nas massas.

Bem abastecidos de carboidratos e tudo mais, andamos até a praia para fazer digestão antes de dormir, aproveitamos para tirar esta inesquecível foto na praia mansa: seis Irons e um destino!

Da esq. para dir.: Eduardo Coimbra, Otávio Lazzuri, Gustavo Velozo, Marcio Bernardo, Witney Moriyama e Clodoaldo Oliveira.

Acordamos as 05h40 e em seguida fomos pro café da manhã.

Sentamos com o grande e veterano atleta Joachim Doeding e aprendemos mais uma: depois de ver o Marcio preparando o coquetel de suplementos o Joachim pergunta ao Marcio; conhece a sigla americana KIS? – O que é? – “Keep It Simple” rs.

O Joachim além de ser um grande atleta mostrou que é uma pessoa humilde.

Saímos do hotel as 06h50 e chegamos na transição as 07h00. A largada da prova seria as 08h00, mas a organização havia mudado, um dia antes, para 07h45. Porém tivemos tempo suficiente para deixar tudo arrumado para as transições, vestir a roupa de borracha e ir para largada.

O tempo estava excelente, conforme a previsão do Climatempo, temperatura entre 17 a 22°C, céu encoberto, sem chuva e sem vento.

Na praia mansa, local de largada, ficou visível que a primeira boia estava muito perto e dava impressão que o percurso seria menor. A natação foi de duas voltas, sentido anti-horário, passando por duas boias e uma pequena corrida na areia da praia entre as voltas. O mar estava calmo e a natação prometia ser legal também. Já na primeira boia o tumulto dos atletas fazendo o contorno era grande, mas na segunda volta, todos foram se espaçando e o nado foi um pouco mais tranqüilo.

O Márcio saiu na frente, seguido por mim, depois Clodoaldo, Otávio, Du e Gus

Logo na saída da Bike ainda perto da transição, um atleta se chocou comigo e quase cai, mas continuei a prova.

O animal do Clodoaldo, muito forte no pedal, logo me alcançou, tentei segui-lo por alguns minutos, mas vi que não dava e continuei no meu ritmo. O percurso da bike é um pouco menor que os tradicionais 90Km, com aproximadamente 81km. A primeira volta consegui fazer com uma média pouco superior a 36Km/h. o percurso estava fantástico, com asfalto muito limpo e quase totalmente plano, cercado de vegetação dos dois lados e com pouco vento na primeira volta. Tentei manter um bom ritmo na bike para não quebrar na corrida, porém um pedal forte o suficiente para superar meu resultado do ano anterior.

Pedalei bem a prova toda, mas sempre encaixotado no meio de pelotão, a pista é estreita e o grande número de atletas faz com que fique difícil achar espaço para pedalar respeitando os 7 metros de distância entre as bikes, como pede o regulamento da prova. Não cheguei a ser penalizado, mesmo porque seria injusto, pois eu não estava me prevalecendo de vácuo. Foi chato, mas por duas vezes o fiscal me chamou a atenção por eu estar muito perto da bike da frente. Este ano a fiscalização da prova atuou com muito rigor e segundo dados da Mundotri foram 107 penalizações com acréscimo de 8 minutos no tempo total e 51 atletas desclassificados por terem sido identificados no vácuo por mais de uma vez. Na segunda volta o vento aumentou no sentido do retorno para transição, fazendo com que minha velocidade média caísse um pouco. Já quase na transição, faltando uns 3km, escuto um grito forte… ESQUERDA, ESQUERDA…rs, era o Du chegando para me passar… Mas como sempre, “cachorro não larga o osso”, apertei também e o busquei novamente gritando para ele: ESQUERDA, ESQUERDA, rs indo assim até o final numa chegada histórica, eu e o Du entregamos a bike juntos!

O Tatá tentou me buscar na Bike, mas a distância entre nós se manteve constante e ele chegou à transição apenas alguns minutos depois.

Na transição para a corrida o Du foi mais rápido e saiu 30 segundos na minha frente.

Comecei a correr, procurando nos primeiros quilômetros, me adaptar e focar na técnica e mecânica do corpo do que com o tempo, mas o ritmo se encaixou desde o primeiro Km de maneira bastante uniforme e constante, próximo a 4’50”/Km, que mantive até o final da prova.

O Tatá não demorou a me passar na corrida logo na primeira volta, passou também o Du que se manteve na minha frente por pouco mais de um minuto e o Tatá que continuou abrindo cada vez mais, num ritmo alucinante, fechando os 21Km de corrida em 1h27. Vê se pode? Um tempo deste para quem estava com gripe, dor de garganta e febre antes de largar.

Fiquei triste e muito preocupado quando o Tatá passou por mim e disse que o Clodoaldo havia caído da Bike, mas não tinha notícias do estado dele.

Durante toda a corrida, procurei pelo Marcio, pois tinha rolado uma aposta de que ele não daria uma volta em mim, rs, quando procurei e não o encontrei, imaginei que tivesse parado, e foi isso que havia acontecido, ele teve o pneu da bike rasgado e abandonou a prova. Foi uma pena o Marcio ter abandonado, pois pelos meus cálculos ele não me pegaria desta vez…vai ficar pra próxima!

O Gus vinha logo atrás correndo muito forte, mantendo uma diferença constante entre a gente, e estava muito bem na prova.

Minha chegada foi sensacional, curti a prova toda, dei e fiz o que tinha de melhor e acabei inteiro, fazendo uma belíssima prova!

Meu melhor tempo/resultado numa prova de long distance: 4h23’25”.

  • Natação a 1min26seg/100m
  • Bike para 35,6 km/h de média
  • Meia maratona para 1h40
  • Primeira transição em 2’16” e segunda em 1’30”.

Foi só vestir a camiseta de finisher, colocar a medalha no peito e comemorar……Uhhuu!!

Parabéns a todos os amigos pela prova:

  • Animal do Tatá mesmo estando “zoado”……4h11;
  • O fortaleza Eduardo Coimbra……………………4h21;
  • Grande Gus superou o objetivo…………………4h40.

Marcio e Clodoaldo, “dois feras”, não completaram a prova desta vez, mas mostraram uma grande energia positiva a todos nós lá em Caioba.

Meu obrigado a todos,

Minha grande mulher Rosana, meus queridos filhos Heidi, Winnie e Hiro. Aos amigos e parentes. Ao Enzo Amato pelos treinos, Vanessa Pimentel pela Nutrição e Rafa Dutra pelo suporte pscicológico.

Homen de ferro e coração derretido.

Esta crônica foi escrita pelo amigo Edu Coimbra alguns dias depois de ter concluído seu primeiro Ironman ano passado.

Por: José Eduardo Osias Coimbra

No dia 26 de Maio de 2010,  a Angela, o Lucca e a Laura partiram para o sul do País rumo ao sonho do Papai, eu, Zé Eduardo, um atleta amador de 42 anos que iniciou no esporte aos 3 anos de idade. Durante todo o trajeto pensava na prova, no desafio, no sonho da linha de chegada. Em alguns momentos partia do banco traseiro do carro um gritinho: “Papai, você está me ouvindo? Estou falando com você!” Graaaande mancada, mais uma bronca.

Chegando em Floripa a ansiedade aumentou, a cidade respirava esporte com 36 países representados, havia mais bikes nas ruas do que carros… Fiquei morrendo de vontade de colocar minha roupa e sair para treinar, sabia que se fizesse um “quebra gelo”, um trotezinho meia boca, eu já me acalmaria. Mas não! Lembrei do meu técnico que me disse várias vezes: “Edu, o descanso é total nos três dias que antecedem a prova, você tem que acumular energia, não se impressione com o treinamento dos outros competidores etc, etc, etc”. Foi difícil, mas consegui ficar parado todos esses dias comendo basicamente macarrão, atum, queijo fresco, e geléia.

Chegou o grande dia. Consegui dormir até às 3 horas da matina, levantei e fui logo fazer a barba… queria sair bonito nas fotos, preparei minha alimentação pré-prova e mais alguns detalhes finais, e às 5 horas em ponto fui ao encontro do meu técnico e colegas. A cidade já estava muito movimentada, faróis de carros nos dois sentidos, agitação total.

Quando o local da largada foi se aproximando, meu coração ficou mais agitado. Iniciamos todo o ritual de troca de roupa e conferência dos últimos detalhes. Os alto-falantes anunciavam a contagem regressiva para a largada… fomos para a praia. Ainda estava escuro. Hino nacional e o anúncio da diretora da prova: “Senhores atletas, dentro de instantes será dada a largada do IRONMAN BRASIL 2010 e, conforme nosso contato com a natureza o Sol acaba de nascer no horizonte bem à nossa frente” Não me contive e fui às lágrimas, não acreditando que aquilo estava acontecendo. Pensei comigo: “Já vi esse filme por repetidas vezes, só que dessa eu estou fazendo parte” Nos abraçamos, amigos e treinador, e choramos. Rezei! Pedi proteção, força, sabedoria e inteligência na condução da minha prova.

Largada dada!!!!! Muita trombada, coices, tapas, etc. A impressão que dava era a de que não havia mar para tanta gente, os primeiros 20 minutos foram de paciência em buscar uma posição mais adequada e ritmo. Meu objetivo era terminar os 3800 metros de natação em 1h:20min. Tive bastante calma, economizei energia e quando sai da água e olhei para o relógio… 1h:09min. Pensei comigo: “Maravilha!!!!! Vamos para a bike! Transição feita, agora são 180km de pedal”.

Em cima da magrela passei 6 horas, pensei em tudo e todos. Ritmo encaixado, frequência cardíaca baixa, começo a cantar, isso mesmo, a cantar literalmente revendo todos os episódios que antecederam a prova. Logo na primeira grande subida comecei a chorar  lembrando das pessoas, dos treinos, das grandes subidas pelas quais passei na fase de treinamento, e continuei cantando, chorando e subindo, subindo, subindo sem me cansar… Minhas pernas estavam muito fortes. No final da primeira volta de 90km mais emoção, logo na entrada da cidade estavam lá a Angela, o Lucca e a Laura acenando e gritando: “vai Papai, força!!!! ” Que emoção!!! Meus Pais, Tios, Primos, Irmão, Cunhada, sobrinho e amigos também.

Iniciei a segunda volta de 90km, sem dores e com o espírito renovado pois havia encontrado todos os meus familiares. Hora da concentração e de executar o planejamento que inicialmente previa uma bike um pouco mais forte na segunda metade, já que a primeira tinha como objetivo me dar mais confiança e conhecimento do percurso com seus perigos. Entretanto, nesse momento, mudei minha estratégia, resolvi manter a mesma cadência da primeira volta e terminar o pedal em 6 horas, ou 30km/h de média. Eu precisava economizar energia, nunca havia feito uma maratona após 180km de bike e 3,8km de natação, e fiquei com a convicção de que minha decisão me traria boas surpresas.

Outra transição, troca de roupas e vamos para a maratona, 42km! Lembrei do meu treinador: “Edu, comece devagar, ensinando seu corpo a se acostumar com a troca de modalidade”. E assim foi, 1km, 2km… 6km e eu já estava totalmente adaptado a corrida, não sentia dores, cansaço e meu ritmo estava encaixado de forma surpreendente. Minha confiança aumentava a cada metro e a amplitude das minhas passadas também. Minha velocidade aumentou, comecei a ultrapassar outros competidores, alguns já estavam sofrendo, andando e flexionando o tronco na direção dos joelhos já evidenciando algum cansaço.  E eu seguia firme, naquela batidinha, me sentindo cada vez mais forte, tão forte, tão forte, que quando terminei a primeira volta de 21km aconteceu um dos momentos mais emocionantes da prova para mim, depois de beijar a minha Mãe,  eu parei, abracei meu Pai demoradamente e chorando disse-lhe, entre outras coisas, ao pé do ouvido: ” PAI… ACABOU, EU SOU UM IRONMAN! “. Mesmo faltando mais duas voltas de 10,5km eu já tinha a certeza que o desafio estava vencido, tamanha era minha confiança, força, fé em Deus e principalmente alegria. Quando deixei a bike eu estava na colocação 959 ( havia exatos 1626 participantes), fiz a corrida e terminei a prova na posição 717. Ultrapassei 242 atletas só na maratona! Muito bacana!

Na última volta de 10,5km a emoção foi plena, chorei quase ela todinha, cumprimentei e agradeci ao público,  a gentileza dos voluntários que trabalharam na organização do evento e segui rumo ao pórtico derradeiro.

Já era noite, clarão adiante, faltam 500m: “Cadê a Angela, o Lucca e a Laura, minhas vistas estavam embaçadas, o sacrifício maior foi deles, cadê, cadê, cadê?” Foi então que apareceu na minha frente meu filho Lucca gritando: “Papai, Papai, Papai!!!!” Noooooossssa! Entramos todos juntos na arena e nos abraçamos de joelhos após a linha final. Indescritível a emoção!

O Ironman me fez uma grande revelação, que na verdade acho que já estava no meu coração. Essa prova não foi feita para que os competidores busquem inconsequentemente seus tempos e metas como único fim, ela deve ser contemplada e degustada na mesma proporção em que é bela e mágica, não merecendo ser agredida com a dor e o sofrimento dos atletas.

Fundamentalmente estive lá com este propósito, celebrando a minha saúde e a oportunidade divina de tê-la, a minha paixão pelo esporte e o meu amor pela minha família e amigos. Esse Ironman, de forma muito intensa me possibilitou tudo isso e muito mais. NÓS VENCEMOS! E foi com esse espírito que terminei a prova. As pessoas olhavam para mim com a  impressão de que eu ainda não havia passado sequer pela linha de largada.

Fechei meu primeiro Ironman em 11h42min, mas isso pouco me importa, aprendi que o mais importante é o atleta nutrir-se da energia que ele carrega, realizando e concluindo a prova de forma FELIZ.

José Eduardo Osias Coimbra