Corrida em altitude simulada (2)

Mais uma vez, em plena São Paulo, corri a 4500m de altitude.

No primeiro texto pude explicar um pouco de como foi o estudo da qual participei como voluntário. Foram 3 testes em altitude de 4500m e outros 3 a nível do mar, todos dentro de uma câmara capaz de simular essas variações.

Agora conto como foram os outros testes e faço uma comparação entre os de altitude e nível do mar.
Foram 3 velocidades diferentes estabelecidas com base num teste físico prévio que quantificou meu Limiar 1 (L1), que simplificando, equivale a velocidade que suporto sem grande dificuldade por um longo período.

Terminados os testes fiquei sabendo quais eram as velocidades e em quais dias estávamos em altitude e quais não, apesar de já ter sentido na pele e ter um bom palpite sobre que dia fiz cada um deles. Vou separá-los por intensidades e fazer as comparações entre eles, que acredito ser o mais interessante para este texto.

100% do L1, vel. moderada = (13 km/h) é o ritmo que consigo fazer uma maratona, ou seja, suportável por algumas horas.Teste em altitude cheguei até os 30min nessa velocidade, comecei a sentir que estava em altitude só com 20min de corrida, com respiração ofegante e cansaço, mas ainda assim cheguei até os 30min e expliquei com mais detalhes no texto anterior.  No dia de nível do mar corri por 1h10. Para iniciar o teste já estava a 3h em jejum, que era um dos requisitos pré teste.

115% do L1, vel. intensa = (15 km/h) é o ritmo que faço provas de 10km, ou seja, consigo segurar por mais de meia hora. Teste em altitude, corri somente 6min e encerrei o teste muito ofegante e impressionado por ser incapaz de correr mais. No teste em nível do mar fiz 33min.

85% do L1, vel. leve = (11 km/h) é o ritmo de treino longo, estava ansioso por esse teste por saber que seria o único que eu teria chance de correr por mais tempo em altitude, cheguei a 1h10 c/ 174BPM, 20 batimentos a mais do que o teste em nível do mar, mas não parei por estar muito ofegante, e sim por tontura, os batimentos ainda não estavam no limite, e não estava a ponto de cambalear ou cair, mas não me sentia bem para ficar mais na esteira, comecei a sentir tontura a partir dos 30min e nos 70min senti que era hora de parar. Para a 1ª coleta sanguínea, logo após o teste, as pálpebras pesavam e tendo que esperar 1h para a próxima coleta, deitei na esteira e dormi. Pude perceber que o cansaço vai além do normal para o tempo de exercício. No teste a nível do mar fiz 1h40.

Pessoas que normalmente sofrem com dores de cabeça podem sentir quando em altitude, mas não era o caso dentro da câmara de teste porque, essa especificamente, não simula a pressão atmosférica das diferentes altitudes.

Certamente se fosse participar de uma corrida em altitude relevante seria bem cauteloso e conservador, pois senti que o urso sobe nas costas de repente e a mudança rápida de altitude durante a prova pode causar dor de cabeça, tontura e queda na pressão. Da mesma forma que correr rápido na beira da praia sob sol forte pode causar inúmeras sensações adversas, exagerar na velocidade quando em altitude também é fator limitante. Sempre temos que nos adequar e rever os parâmetros de acordo com o ambiente.

Foi uma experiência muito interessante de participar, apesar de não poder tirar todas as conclusões apenas pelas minhas percepções, mesmo que ao final de cada teste era bem perceptível os dias de altitude ou não, mas em indivíduos menos treinados essa diferença não era tão gritante. Sem contar que os testes envolviam análise de sangue em diferentes momentos, saliva e quantidade de oxigênio nas células, ou seja, a Samile avaliou inúmeras variáveis que embasarão sua apresentação ao final do mestrado e fiquei muito contente por poder ajudar e aprender um pouco mais sobre a modalidade que tanto gosto.

Enzo Amato

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