Fiambala Desert Trail 80km, parte 2, a corrida!

A corrida!

Depois de toda aventura para chegar até Fiambala (clique e leia texto 1) na linha de largada, saímos da pequena cidade e logo estávamos na escuridão do deserto entre areia e arbustos quase sem folhas por culpa do outono, olhar brevemente para cima e ver a Via Láctea rasgando o céu todo estrelado era um espetáculo, não gosto de correr a noite, mas aquilo me motivava e sabia que logo o sol viria celebrar a corrida. Larguei literalmente por último para fugir do efeito manada de qualquer largada, com 10min e ainda com batimentos bem baixos, 140, comecei a ultrapassar os mais afoitos, nas corridas noturnas é fácil identificar grupos, nesse caso por várias vezes liderei alguns deles e a adrenalina aumentava ao ter que procurar as marcações que refletiam com a luz da lanterna, como não havia pista demarcada e as vezes os pontos estavam distantes, essa tensão e atenção fazia o tempo passar mais rápido, cheguei ao 1º posto de abastecimento no km 16, em 1h43, corrida fácil até aí, saí dos 2100m de altitude e desci até 1600m, a caminho do posto nº 2 já perto da largada dos 50km, ainda estávamos correndo para o Leste, vento da esquerda, como previsto, indo para o Sul, o  sol começava a dar contorno as montanhas à frente e encontrei novamente meu amigo de Facebook, o Carlos, que começou a falar ao celular muito entusiasmado, disse que o dia clareava, que uns locais lhe haviam dito que por ali passou o Dakar, que a areia nos estava colocando em nosso devido lugar “ditando o ritmo” me fez dizer algumas palavras sobre a corrida e depois me contou que estava ao vivo na rádio que ele trabalha como jornalista, rs.

O dia clareou e junto com o sol, um show de cores nas montanhas, passamos pelo único rio do percurso, e perto de todo rio tem um povoado, aquele se chamava Taton, cidade que sediou a largada da turma dos 50km, subimos e descemos um morro por estrada de terra e pedras alcançando o posto 2 com 34km. 

Novamente mais areia fofa já seguindo para o sul, para depois pegarmos uma estrada, uma reta interminável com vento soprando areia, era quase 11 da manhã quando parei para passar protetor solar e colocar o boné e o óculos de sol, rapidamente tudo se encheu de areia, estava abrigado atrás de um pequeno arbusto que não adiantou nada, mais de 1h naquela estrada acompanhando as montanhas dos dois lados, esse trecho serviu para dimensionar a corrida, comecei a sentir que a areia me tirava energia em cada passada, lógico que isso acontecia desde o início, mas no início o tanque está cheio. 

Cheguei a outro posto de hidratação, o 3º, eles estavam bem distantes uns dos outros, levava entre 1h45 e 2h30 entre eles, e em cada um enchia o reservatório com água para certificar que não faltaria, saí da estrada e invadi as dunas novamente, impossível manter o ritmo de corrida, usava os batimentos como parâmetro e naquele terreno só era capaz de fazer uma corrida medíocre, era a parte mais difícil da prova tanto para o físico quanto para a mente, já havia feito 46km, mas ainda faltavam 34km e o ritmo era penoso, tudo isso te deixa na dúvida, mas é hora de lembrar nos bons treinos realizados e fazer a confiança voltar, sabia que estava lento pelo terreno e pela hora do dia sem um pingo de sombra a vista, segui em frente me adaptando ao ritmo que o percurso me impunha. 

Cheguei ao posto 4, havia feito 60km o vento e a areia eram muito fortes e nada podia pará-los, naquele ponto já sentia o vento e a areia como uma tortura chinesa, sentei um pouco, respirei fundo, me tapei todo e voltei pra prova, ainda lento, percebi que não via fitas de marcação do percurso há algum tempo, mas continuei seguindo um corredor que via mais longe a frente, pensei que as fitas haviam sido levadas pelo vento, erro, quando percebi éramos um grupo perdido de 15 pessoas, a maioria dos 50km, sabíamos que a corrida rumava para o Sul e depois de um tempo vimos corredores descendo por um morro, até então não sabia o que havia perdido e sabia que não havia corrido menos que eles, pensava que eu estava correndo mais a direita, já que não havia pista. Depois soube que havia perdido a melhor parte, atravessar uma duna alta.

No posto 5, com 69km, faltando apenas 11km já havia desanimado da possibilidade de chagar com dia claro, estava muito cansado, a areia me desgastou aos poucos, mas lá encontrei os fotógrafos que viajaram comigo e me incentivaram, naquela hora a temperatura já começara a baixar e o percurso ficou bem pedregoso e dinâmico, tudo isso parece que me ajudou a voltar a correr melhor, aquela energia mental que nos inunda no último km chegou pra mim 10km mais cedo, para quem já estava sem joelhos talvez fosse a parte mais dura da prova já com 70km nas pernas, mas pra mim foi renovador, a confiança de chegar com sol havia voltado e me sentia bem, aproveitei esse momento para correr sempre que possível me sentia ágil pisando de pedra em pedra, é verdade que um tropeção de vez em quando me colocava alerta novamente.

Faltando 3km pegamos o único trecho de asfalto da prova, já era possível enxergar Fiambala à frente e o sol ainda levaria algum tempo para se esconder atrás da montanha mais alta no Oeste, cheguei na praça central moradores e corredores me aplaudiam com acanhamento, mas bastou um sorriso meu para que fizessem mais barulho, 12h25 depois de largar, finalmente completava esses 80km no deserto argentino e foi sensacional!

Assista ao vídeo da prova!

Como chegar:

  • De Buenos Aires havia um pacote fechado com uma empresa de ônibus, que levava direto a Fiambala que está a 1400km da Capital Federal aproximadamente 18hs de viagem.
  • Pode-se ir de avião desde Buenos Aires até Catamarca e fazer 350km de carro alugado.

O que usei na corrida:

  • Tênis leve com cravos Skechers Go bionicTrail;
  • Calça legging Adidas;
  • Polaina de compressão e manguito OG;
  • Polaina contra areia Noaflojes;
  • Camiseta térmica Nike + camiseta oficial do evento;
  • Corta vento Montagne e luvas Quechua no início;
  • Mochila de hidratação Quechua Diosaz 10L;
  • Boné Ansilta, bandana Guepardo e óculos de sol Briko.

O que comi:

Torrone, damasco seco, castanha do Pará, amêndoa salgada, 2 cápsulas de cafeína (100mg), 1 gel de carboidrato, muita água, meia banana e powerade oferecido pela organização.

Enzo Amato

Fiambala Desert Trail 80km, parte 1, chegar!

Sensacional desde o princípio.

Lendo o site, me encantou a ideia de ter que viajar muito até chegar no local da corrida, isso a deixava mais rústica e menos populosa, sentia que isso só levaria corredores motivados simplesmente a correr, não tinha como não lembrar do livro Nascidos para correr, onde um pequeno grupo de ultra corredores viaja por muito tempo, até muito longe de tudo só para poder correr. Desta vez eu era o personagem real, e lá estava eu, no norte argentino, colado nos Andes, mas além de montanhas altas, muita areia, dunas, pouco verde, aridez, muitas paisagens e vento sul, no deserto que foi palco do Rally mais famoso do mundo, o Dakar, pronto para correr 80km.

Sai de casa às 9:30 da manhã e só chegaria em Fiambala 30hs depois, um voo de SP a Buenos Aires e mais 1400 km num ônibus com a turma da organização da prova e fotógrafos, minha aventura já havia começado e eu a desfrutava 100%, ainda no ônibus, tendo que cuidar da alimentação, já que 48hs antes de uma corrida importante é o melhor momento de ingerir carboidratos que servirão de combustível na corrida, tinha uma sacola cheia de comidas e me virava nas paradas do ônibus, tudo era parte da história. A viagem foi muito tranquila, dormi toda a noite e com o amanhecer fui notando a mudança na paisagem, o verde desaparecia e dava lugar ao marrom das rochas e montanhas e depois de 18hs no ônibus chegamos ao hostel onde a organização ficaria hospedada e entregaria os kits da corrida no dia seguinte.

Hostel San Pedro em Fiambala – Catamarca

Pude ajudá-los um pouco, desde montar as caixas dos kits até descarregar caminhão com as bebidas que iriam para os postos de hidratação. A temperatura era uma mistura de agradável ao sol e frio à sombra, porém com vento era sempre frio, e pelas dúvidas eu estava sempre agasalhado.

A ser levado para os 5 postos de hidratação, um dia antes da corrida ainda no hostel.

Sexta a noite, véspera da prova fui ao congresso técnico, lotado de atletas e algumas autoridades locais, já tinha toda minha mochila e roupas organizadas, só faltava jantar e descansar algumas horas, pois o ônibus que nos levaria até a largada partiria às 3:15 da manhã. Ainda no congresso percebi o quanto a província de Catamarca estava envolvida em promover o evento e sabia da oportunidade de desenvolvimento turístico da região com a corrida, prefeito e secretária de turismo discursaram brevemente mostrando gratidão e entusiasmo com o que faríamos dali a algumas horas. Até eu fui aplaudido por ser dos poucos estrangeiros na prova, uma piadinha sobre a copa, risos, aplausos e me senti muito bem acolhido.

Dormi bem as poucas horas que me correspondiam apesar de ter mais 2 pessoas dividindo o quarto comigo, o banheiro era compartilhado (fora do quarto) e com medo de estar ocupado na hora que eu precisasse me arrumar, já colei os esparadrapos no pé antes de deitar e deixei a lanterna por perto para me vestir no quarto mesmo assim que acordasse, às 2:40.

3:15 estava na praça, tínhamos ainda 50min de ônibus e uma pequena cochilada até chegar a praça da cidade de Palo Blanco, local da largada. Ao descer do ônibus, meu segundo passo foi para o lado por causa do vento, esse era nosso receio, muito vento, que levanta poeira e areia e nos impossibilitaria de enxergar, a previsão era daquelas que se espera de tudo um pouco, frio, vento Zonda (vento quente com terra) calor… ainda no congresso o prefeito disse que teríamos vento sul, ou seja nas costas, já que os últimos 50km também iríamos para o sul. Enfim, depois do baque ao descer do ônibus, fui me abrigar do vento num prédio municipal já lotado de corredores, guardei a jaqueta na mochila entreguei no guarda volumes para seguir até a chegada e vesti meu corta vento, estava pronto. Minutos antes da largada um amigo de facebook da província de Entre Rios me reconheceu, nos cumprimentamos, tiramos foto e minutos depois estávamos prontos para largar com outros 180 corredores para fazer 80km, era pouco mais de 5 da manhã quando a corrida começou.

Carlos e eu, pouco antes da largada.

Clique e leia a parte 2, a corrida! E assista ao vídeo.

Enzo Amato

Fiambalá Desert Trail, corrida no deserto argentino.

Meu grande desafio de 2014.

Pra quem leu o livro Nascidos para correr, onde alguns poucos ultra corredores viajam muito até chegar num lugar longe de tudo para poder correr, é impossível não relacionar com a Fiambalá Desert Trail. Basta navegar pelo site da prova, ver onde fica a cidade, como faremos para chegar e perceber que a aventura já começa por aí. É só para quem tem esse espírito.

Claro, se você leu o livro e pesquisou o site, talvez ache que eu esteja exagerando, mas o que quero dizer é que esse tipo de prova começa muito antes da largada. Tudo tem que ser pensado antes, e nas provas desafiadoras, esse tudo nos tira da zona de conforto acaba alimentando a ansiedade que tem que ser controlada com uma dose maior de auto confiança. É desse tipo de prova que gosto! Em que ritmo vou correr, o que vou comer, o que vestir…? Tudo é influenciado pela viagem que começa 3 dias antes da largada, ainda não sei nenhuma dessas respostas, mas traço alternativas para várias situações e já comecei a fazer uma lista do que preciso levar, os treinos para me deixar cada vez mais resistente e forte, o planejamento do que comer na longa viagem de ônibus no dia que o corpo mais precisa de energia, 48hs antes da prova, quais as comidas que gosto durante a prova que podem entrar no país…

Aí percebo que a prova já começou e ainda faltam mais de 2 meses. Será que as provas que não me tiram da zona de conforto conseguem me motivar dessa forma? Essa resposta eu sei, não!

Escolha uma distância razoável para seu condicionamento e curta essa aventura desde já!

Leia mais sobre o evento.

Enzo Amato

Fiambalá Desert Trail + informações.

A maior corrida non stop em deserto na América.

Essa é para os que querem algo diferente e relativamente próximo. Digo relativamente quando comparo com outros desertos pelo mundo, porque só para chegar em Fiambalá já será uma boa aventura, onde 100% dos corredores estarão prontos para o que der e vier.

Fiambalá fica na província argentina de Catamarca, clima e paisagem desérticos, no meio do nada, muitas horas de qualquer cidade grande, a 1360km de Buenos Aires, é aí que escolhi fazer 80km (tem também 50 ou 27km). Me chamou a atenção por ser num lugar diferente e desafiador, muita areia, dunas, montanhas, amplitude térmica e altitude.

Gosto de provas inusitadas, com pouca gente e sem dúvida a América do Sul ainda é meu lugar preferido para esse tipo de prova. Leia mais sobre a corrida.

Inscrições com desconto

O MidiaSport em parceria com a organização da Fiambalá Desert Trail disponibilizou 20 inscrições com desconto, 10 vagas para os 50k e 10 para os 80k. Fazendo a inscrição no link abaixo o interessado poderá pagar valores menores que no site oficial e em Reais.

Através do site oficial o valor é de US$ 150 para os 50k e de US$ 200 para os 80k. O valores promocionais do MidiaSport são de R$ 300 para os 50k e R$ 425 para os 80k.

Vale lembrar que nos valores de inscrição não estão inclusos os valores de transporte, traslado e hospedagem.

O link para inscrição com desconto é o seguinte: www.minhasinscricoes.com.br/fiambaladeserttrail/2014/

Como chegar:

Para nós brasileiros a melhor opção é ir de avião até Buenos Aires e de lá pegar o ônibus leito até Fiambalá pela agência oficial 360runn. Existem outros aeroportos mais próximos, porém mesmo assim você teria que fazer outra viagem de aproximadamente 300km de carro ou ônibus, passando por lugares com pouca infraestrutura, o que deixaria a viagem mais arriscada. (recomendação do organizador)

No site do evento existem opções e pacotes de transporte terrestre e hospedagem.

  • As inscrições para 80 e 50km podem ser feitas com desconto clicando aqui e para os 27km diretamente no site do evento.

Custos:

Apesar de gastar um pouco mais com a passagem aérea, por causa da Copa, compensaremos muito mais no transporte terrestre, hospedagem e alimentação por causa do câmbio, com o Peso muito desvalorizado com relação ao Real.

Passo a passo:

  1. Comprar voo até Buenos Aires*
  2. Reservar lugar no ônibus leito que vai de Buenos Aires a Fiambalá, sairemos da praça Itália, em Buenos Aires, dia 4 de junho 2014 às 19hs;
  3. Reservar hotel em Fiambalá;
  4. Reservar transfer até sua largada.
*Saída de Buenos Aires dia 4 às 19hs.
Retorno/Chegada a Buenos Aires no início da madrugada de domingo para segunda, dia 9 a 1AM.
Espero curtir muito essa aventura. Aos poucos deixo aqui no blog mais textos sobre os treinos, equipamentos, estratégias e toda preparação envolvida numa prova como essa.
Enzo Amato

Fiambalá Desert Trail – Argentina

Fiambalá Desert Trail, vou subir mais um degrau nas ultras e para isso escolhi uma prova diferente e desafiadora, não só pela distância, mas pelo terreno, clima e altitude.

Existem 5 grandes corridas em deserto no mundo, em sua maioria nos grandes desertos africanos: Sahara Race (Egito), Marathon des Sables (Marrocos), 100 milhas (Namíbia), 100km Sahara (Tunísia) e Desert Race (Omã).

Fiambalá será a maior proposta acontecendo na América, dia 07 de junho 2014, na casa dos vizinhos argentinos, e uma das melhores corridas de deserto do mundo, pela beleza de suas dunas e montanhas, por suas paisagens imponentes e por ser em altitude.

Quando se pensa em deserto, o que vem na cabeça é calor e areia, porém a corrida será no inverno e a mais de 1600 m.s.n.m. por isso é muito provável que as largadas dos 80 e 50km aconteçam com temperaturas perto de zero, ou até negativas, podendo chegar até 29º a medida que vá passando o dia.

No percurso a areia será o principal obstáculo e não somente a distância ou o desnível.

3 opções de percurso:

80k: 66km areia + 10km terra + 4km asfalto
50k: 40km areia + 6km terra + 4km asfalto
27k: 23km areia + 4km asfalto

Em breve mais novidades.

Enzo Amato

Mountain Do Atacama, vídeo do percurso, parte 2.

No primeiro texto/vídeo contei como havia sido o percurso até o km 25 margeando as montanhas e prestes a encará-la de frente e olhando pra cima, logo após a tenda de isotônico, lembro bem dessa subida, pois lá no topo um dos 8 fotógrafos do MídiaSport que estavam espalhados no percurso marcava presença, fiz minha pose e segui adiante. A grande duna ainda estava alguns quilômetros afrente, uma leve descida após essa primeira escalada, era km 29 para uns e 10 para outros, e logo em seguida um trecho muito bonito em zigue-zague e todo branco de sal, o terreno começou a ficar arenoso e exigiu força para seguir em frente, já era possível ver a duna imponente e alguns atletas bem pequenos na imensidão da paisagem que engana nosso cérebro, éramos menores do que eu pensava, porém mais fortes, todos os atletas dos 23km já haviam passado por ali, agora era minha vez, encaixei o ritmo certo para aquele desafio, e caminhando segui, sem me esquecer de olhar pra trás e ver por onde já havia passado, de contemplar a paisagem, de piscar os olhos fingindo que eram uma câmera fotográfica e guardar esses flashes na memória. A subida era ingrime e de areia, eu mal enxergava os staffs lá no topo. No topo da duna, sem enxergar os primeiros colocados segui adiante ao invés de entrar a direita e uns 3 atletas me seguiram, depois de algum tempo voltamos ao percurso, no chamado vale da morte, o calor já começava a marcar presença e o percurso, apesar de várias descidas, era de areia, o que deixava a corrida mais lenta e difícil naquele ponto, há 8km do final… Os quilômetros finais deixo para o próximo vídeo.

Assista ao 3º vídeo!

Enzo Amato

Mountain Do Atacama 2013

O Mountain Do Atacama foi a surpresa da temporada, imaginava uma prova rústica, mas não tão apaixonante e organizada, antes mesmo da prova acontecer, ainda no Brasil, fui sendo cativado pela organização, nós atletas recebemos vários emails, que incluíam desde dicas sobre o que levar na mala, o que carregar durante a corrida, até os seguros viagem, pacotes de fotos, passeios disponíveis no destino etc…

No Chile as orientações foram passadas em dois horários diferentes, na praça central de San Pedro, o kit era composto por ítens que seriam úteis durante a prova, como cinto de hidratação, de boa qualidade, uma bandana, além de camiseta e mochila.

A prova passou por lugares que nunca poderíamos passar numa corrida no Brasil, no Atacama a paisagem é única e vocês poderão assistir ao vídeo que fiz, se animar ou não, mas pelo menos saber que o mundo das corridas vai muito além das provas em metrópoles asfaltadas e cheias de gente, e é capaz de chegar até ao deserto mais árido do mundo e que em 6, 23 ou 42km consegue passar por salares, vales, dunas de areia, montanhas de pedras vulcânicas, frio, calor, céu azul de sol brilhante sobre mais de 700 brasileiros, corredores amadores experientes e iniciantes, que dividiram comigo essa sensação. Parabéns a todos pela força de vontade durante a corrida e esforços que deixaram a agenda apertada para praticar um esporte apaixonante num lugar diferente!

Atacama - Percurso

Clique para assistir ao vídeo.

Se você também esteve lá, deixe seu comentário, ele servirá para os apaixonados por corrida como você. Abraço.

Enzo Amato.

Mountain Do Atacama, o que ter na mochila?

Os 3 primeiros textos falavam sobre os treinamentos para essa prova, no mínimo, pitoresca. (clique para ler texto 1, texto 2 e texto 3) Agora deixo registrado, com base na opinião de uma pessoa que passou a vida na aridez, ao lado da cordilheira, aliada às minha corridinhas que costumo fazer durante as festas de fim de ano no mesmo local.

Assim que botar a cara pra fora do avião nenhuma gota de suor vai escorrer a partir daí, só no dia da prova. O ambiente vai pegar toda umidade que você oferecer sem dar tempo de que ela possa escorrer pelo seu rosto, tudo se evapora! Você vai suar e se desidratar como sempre, mas não vai perceber! A sensação de moleza e indisposição será constante e pensar em correr a prova no ritmo que você treinou ao lado de casa vai parecer impossível, e talvez seja mesmo! É o que aconteceria com um morador de lá que viesse para o Brasil, a mudança de ambiente seco para úmido o deixaria com moleza. É por isso que não acredito em correr no ritmo do treino, nesse tipo de prova. Teremos que chegar lá bem treinados, descansados e começar a prova com cautela até nos sentirmos seguros.

Cuidar da hidratação é o principal, desde a chegada em Calama até a prova. Não correremos numa altitude tão significativa, entenda a partir dos 3500m, a prova acontece a 2400m, mas quanto mais alto, mais água precisamos.

Nessa altitude não acredito que chegaremos a sofrer ou precisar ter algum cuidado específico além da hidratação e evitar insolação, mesmo assim deixo as possíveis dicas para caso o “mal de altitude” resolva aparecer. Cada organismo reage de uma forma diferente, alguns precisarão de sal quando a pressão baixar, mas quem tem pressão alta não, por isso considero interessante pedir orientação ao seu próprio médico.

Outro ponto importante é fazer um seguro saúde para o período que ficaremos no exterior. Basta perguntar em qualquer agência de viagens, é um produto vendido a parte.

O que levar na mochila de viagem:

  1. Creme hidratante para o corpo e rosto;
  2. Xampu anti caspa e condicionador;
  3. colírio, só se indicado pelo oftalmo;
  4. Protetor labial e manteiga de cacau;
  5. Roupa de calor e frio;
  6. Boné;
  7. Óculos de sol;
  8. Ibuprofeno, em caso de dor de cabeça, ou o que estiver acostumado a tomar quando tem dor de cabeça.

O que usar na corrida:

Roupas claras, protetor solar, óculos de sol, boné, protetor labial, tênis confortáveis e de preferência de cor clara, meias brancas e pés protegidos, pode ser com vaselina, micropore, hipoglos ou esparadrapo…porque os pés vão esquentar bastante e bolhas podem aparecer com mais facilidade.

Outros cuidados são os mesmos para qualquer viajante, cuidado com a água, isso inclui sucos misturados com água, refrigerantes com gelo no copo, alface etc… Perceberemos que a água é diferente ao tomarmos banho. Nós brasileiros, chilenos e argentinos, por incompetência política, deixamos que nossas águas se contaminem através de empresas estrangeiras que exploram minério. Estrangeiras e até nacionais como a Vale. Por isso muito cuidado.

Se ficou alguma dúvida me escreva. O próximo texto vai ser sobre possíveis estratégias de prova.

Enzo Amato

Mountain Do Atacama, treinos. (parte 2)

Ainda longe da data da corrida e já adaptando ou começando o treino de musculação com foco para essa corrida única, começamos a reparar em outros detalhes, como o planejamento e objetivos para a prova que encontraremos. É interessante ler o 1º texto sobre os treinos antes de aplicar o que escrevo abaixo.

Para uma maratona no asfalto, controlar o ritmo a cada km e os batimentos são bons parâmetros para direcionar a estratégia, que foi planejada nos treinos. No caso de uma prova em trilha ou montanha, contar os minutos a cada km pode não mostrar realmente o esforço que você está fazendo, por isso desconsidero esse parâmetro durante esse tipo de prova. Os batimentos também oscilam muito esteja você morro acima ou morro abaixo, mas uma característica comum para qualquer maratona é que você tem que ter força nas pernas, resistência e um bom condicionamento aeróbico na corrida. Mas como tudo na vida, e nas corridas não é diferente, existe um porém. Analisei o resultado final da maioria dos corredores da edição passada e percebi que boa parte terminou com um tempo aproximado aos tempos de uma maratona qualquer no asfalto. Isso me chamou a atenção e perguntei ao organizador, qual característica deixa a prova difícil? Ele disse – em poucos trechos teremos problemas com o percurso e por esse motivo não há necessidade de ir com tênis para trilha que são mais pesados que os de rua. Melhor se beneficiar com a leveza dos tênis normais. A dificuldade vem da baixíssima umidade junto com calor e a altitude, já que a média da maratona é a 2400m do nível do mar.

– Para a maioria dos brasileiros será impossível, talvez para os do centro-oeste seja apenas muito difícil, treinar com baixa umidade de Janeiro a Março. Sem contar que também não conseguiremos treinar acima dos 2000 metros, ou seja, temos que ir preparados nas variáveis que podemos controlar, ou seja, força, resistência para os treinos longos, e se possível velozes. E fazer a prova com mais cautela do que os treinos, até sentir que você faz parte do ambiente e que não está lutando contra ele.

Programe seus treinos controlando o ritmo e trabalhando na faixa de esforço recomendada pelo seu treinador, mas também programe sua prova com os parâmetros específicos para uma prova fora de estrada com os devidos poréns. A diversão de uma prova longa e diferente é tentar prevê-la e preparar-se para os imprevistos e diversidades que encontraremos sem a menor dúvida. Mountain Do Atacama 2013 já começou!

Se ficou alguma dúvida é só me escrever.

Texto 3, como posicionar os treinos longos na planilha.

Nos próximos textos ainda vou falar sobre o clima, e o que nós aqui do país tropical temos que ter na mochila.

Enzo Amato.