Clínica com Mark Allen, eu fui!

Nos dias que antecederam o Ironman Brasil 2013, Mark Allen, a lenda do triathlon mundial, com 6 títulos no Ironman do Havaí, falou um pouco sobre sua carreira e preparação física atualizada para uma prova de Ironman, e eu tive o prazer de ouvi-lo.

Participei apenas de um, dos 3 dias. Foi muito interessante ouvir algumas histórias de um cara que brigava para ganhar as provas, e perceber que algumas sensações pela qual ele passava, guardada as devidas proporções, eram as mesmas que um atleta amador passa num Ironman, como desânimo mental, achar que não vai dar, manter os batimentos abaixo do L1, derrubar a garrafinha com a suplementação etc… mesmo assim conseguir controlar, ou melhor, contornar o desânimo e voltar a pensar positivo, estabelecer novas estratégias, a correr atrás, a ser paciente, lutar… são situações que nós também passamos, no nosso caso, simplesmente para completar a prova, no dele, para ganhar, mas percebi muitas similaridades que tornam esse esporte mágico. Além de poder ter os equipamentos que os profissionais tem, também sentimos o mesmo que eles, isso é algo que o esporte mais popular do mundo não pode nos dar, mas o triathlon sim.

O vídeo do Ironman do Havai de 1995 pode ser visto pela internet, mas ouvir dele como foi, e o que ele sentia em determinados momentos da prova, mesmo com a melhor das edições e narrações o vídeo não consegue mostrar, e dentro da própria história ele encaixava exemplos reais e úteis para nós amadores. Por exemplo, na transição para a corrida ele imaginava estar uns 5min atrás do líder, e por ser um bom corredor, se sentia na briga pela vitória, mas ainda na transição alguém gritou pra ele, “você está a 13’30” do líder” era uma desvantagem absurda, e só de pensar que ele teria que correr  30seg por milha mais rápido que o líder para poder alcançá-lo só na linha de chegada, somado que o líder era 13 anos mais novo, que ele tinha 37 anos, que ninguém com 37 anos havia ganho a prova, e ao ouvir uma espectadora comentar com outra “olha, é o Mark Allen, mas ele não parece tão bem” enfim, ele tinha inúmeras razões para estar desmotivado naquele momento, mas nessa onda de negativismo ele nos dizia que, “calava a mente” e esperava por uma resposta interior, e depois dessa resposta ele continuava lutando, mesmo sem ver o oponente por vários kms, ele tinha que manter o foco, e ao passar pela meia maratona viu que a distância havia sido reduzida pela metade, porém mais uma vez, ele pensou que seria muito difícil brigar no sprint final com um atleta 13 anos mais novo que ele, e dentro dessa nova luta mental, calou a mente outra vez e esperou outra resposta, que foi a seguinte, – eu ainda posso ir um pouco mais forte – e assim ele foi, segurou o pensamento por mais vários kms sem desanimar e os 30seg por milha que ele reduzia, viraram 45”, depois 60”, até conseguir enxergar seu oponente, e há apenas 5km do fim ele assumiu a ponta e seguiu para sua 6ª vitória em Kona, aos 37 anos, contra atletas mais jovens, tirando um tempo que ninguém havia conseguido tirar antes, e depois de toda essa história, claro, muito mais legal sendo contada pelo próprio, ele colocou um vídeo de 1min com a chegada dessa prova, que não poderia render menos que uma salva de palmas de todos que assistiam sua palestra.

Claro, toda palestra estava organizada para somar conhecimento aos participantes, e dentro desse objetivo pudemos ouvir grandes histórias de uma lenda, de forma bem didática, sobre um esporte que adoramos. Espero que outras oportunidades como essa apareçam para gerar bons frutos nas provas de Ironman.

Enzo Amato

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