São Silvestre 2012.

De volta à Av. Paulista, é lá que termina os 15km da prova, que em 2011 foi até o Ibirapuera, mas a maior mudança foi no horário, ao invés das 17 horas a prova será as 9 da manhã. Não acredito que a prova perca seu brilho por causa disso, já que o brilho vem das pessoas e não da TV, a torcida estará presente nas ruas, os corredores dominarão o espeço onde os carros dominam 364 dias por ano e será uma grande festa, como sempre, que só a São Silvestre pode mobilizar. Se você já fez todas as corridas em São Paulo, vai perceber que a SS é diferente. O fato de ter a largada de manhã vai ajudar na concentração, estacionamento, metrô e na dispersão da multidão. A chance de temporal de manhã é menor, o calor é fator importante, mas acredito que seja menos do que costuma ser as 17 horas. Talvez só o trânsito fique um pouco pior porque de manhã algumas pessoas ainda trabalham, mas vi com bons olhos essa mudança de horário e a volta da chegada na Paulista.

Os treinos longos. Isso é muito particular de cada corredor, do seu histórico e condicionamento atual, mas nenhum treino de prova longa precisa ter a distância da prova. Ninguém treina 42km para fazer uma maratona, quem dirá um Ironman ou ultra-maratona. Os treinos longos devem ser gradativos, a partir do que o corredor considera treino longo hoje, aumentando o tempo desse tipo de treino aos poucos, a cada 15 dias.

Costumo orientar que quanto mais exigente o treino longo, mais curtos são os treinos durante a semana para que o corredor possa se recuperar e conseguir fazer o próximo treino bem feito.

Os treinos de subida. Subidas devem fazer parte dos treinos, algumas curtas de até 100m e outras um pouco mais longas, cerca de 500m ou um pouco mais. Pra quem treina em esteira é fácil controlar isso. Nas subidas curtas os batimentos aumentam e não chegam a se estabilizar e a sensação de cansaço é pior do que nas subidas longas onde encontramos a velocidade correta fazendo o corpo entrar em estado de equilíbrio e tirando de letra a tão temida Av. Brigadeiro. Ou seja, encontre a “marcha” certa para o percurso que você está. Nas subidas mais longas, os batimentos devem se manter praticamente no mesmo ritmo do que quando no plano, para isso basta diminuir a velocidade assim que começar a subida e não só depois que o fôlego acabar. Nas curtas não vale a pena reduzir tanto a velocidade, dá pra sofrer um pouquinho com os batimentos mais altos e depois naturalmente baixá-los só com a mudança do percurso. Como ainda temos bastante tempo para a SS dá para evoluir nesse tipo de treino dando o tempo correto de descanso entre eles e avaliar sua evolução ao longo dos meses. Acho os batimentos o melhor parâmetro para treinos em subida. Subidas de 500m já são suficientes para os batimentos estabilizarem e você saber qual seu ritmo ideal na subida, que seguramente deverá ser mais lento que no plano. A Brigadeiro tem quase 2km, mas não há necessidade de treinar subidas de 2km, melhor fracionar 500m de subida com 300m plano algumas vezes, assim você não força demais os tornozelos numa posição diferente da que está acostumado, evoluir aos poucos é o grande barato da conquista.

A São Silvestre no fim da tarde era uma incógnita, um ano procurei chegar cedo, fiquei 3 horas com sol na cabeça, sem me mexer, e nem assim estava tão perto da linha de largada e já comecei a corrida cansado, noutra oportunidade chovia forte e as pessoas, abrigadas, deixaram a rua livre, larguei bem fazendo minha melhor SS em menos de 1h. Nesse ano a largada será de manhã e acredito que isso contribua para bons tempos, mas mesmo assim não considero a SS um bom parâmetro, já que os atletas acham que vão aparecer na TV, travam o fluxo, fazem muita festa e o tumulto é enorme. Para São Silvestre minha dica é sempre curtir a prova sem atropelos e esquecer do relógio porque não vale a pena. Corra confortavelmente para conseguir reparar na cidade, na torcida e nos corredores à sua volta. Não há nada igual às outras corridas do ano. O início deve ser conservador porque há uma grande descida e nessa hora todos estão com fôlego extra, mas com músculos e joelhos de sempre. Chegar com pelo menos 1 hora ou mais de antecedência é o ideal para conseguir reparar em tudo numa São Silvestre.

Sempre incentivo as pessoas para que avaliem as condições na hora da prova, se for favorável, com temperatura amena, você bem posicionado no funil de largada e se sentindo bem, vá em frente e tente seu melhor tempo, mas se uma dessas variáveis estiverem contra você, não lute contra porque você pode transformar essa corrida tão diferente e divertida num verdadeiro sofrimento. Deixe as cobranças no escritório e use a corrida como um hobbie, como ela realmente é pra nós amadores e simplesmente divirta-se.

Enzo Amato.

Prestes a começar o Caminho de Santiago.

Meu pai e eu estamos há menos de uma semana de iniciarmos nossa peregrinação percorrendo os 800km até Santiago de Compostela. Embarcaremos dia 23/9/12 e pretendemos começar a caminhada dia 26 ou  27/9.

A ansiedade já bate, ainda me faltam alguns pequenos detalhes que acabei deixando para a última hora, já que estive mais atarefado nas últimas semanas tentando organizar as próximas semanas de trabalho, deixando o pessoal com seus respectivos treinos. Mesmo sendo pequenos detalhes gostaria de tê-los organizados para a mente ficar mais tranquila.

Depois das caminhadas específicas que fizemos, e que compartilhei com você leitor, fizemos outras duas de cerca de 20km cada uma. Antes de estar fisicamente no “caminho”, considero que, com esses 4 treinos, conseguimos ter uma boa noção do que serão as caminhadas com relação ao vestuário, posição das roupas dentro da mochila, meias… é certo que não caminhamos nenhum dia sob chuva e muitas outras variáveis não foram vivenciadas e certamente elas farão parte da nossa peregrinação. Nossa intenção não é ir até lá para sofrer, queremos aprender e refletir.

Não sei o que vou aprender ou sobre o que refletir. O caminho será uma experiência única, particular, individual e qualquer outro sinônimo ou adjetivo singular e individualista que eu possa citar.

Mesmo assim espero conseguir compartilhar em palavras essa experiência com a maior frequência possível.

Nos falamos.

Enzo Amato.

Mountain Do Atacama, treinos. (parte 2)

Ainda longe da data da corrida e já adaptando ou começando o treino de musculação com foco para essa corrida única, começamos a reparar em outros detalhes, como o planejamento e objetivos para a prova que encontraremos. É interessante ler o 1º texto sobre os treinos antes de aplicar o que escrevo abaixo.

Para uma maratona no asfalto, controlar o ritmo a cada km e os batimentos são bons parâmetros para direcionar a estratégia, que foi planejada nos treinos. No caso de uma prova em trilha ou montanha, contar os minutos a cada km pode não mostrar realmente o esforço que você está fazendo, por isso desconsidero esse parâmetro durante esse tipo de prova. Os batimentos também oscilam muito esteja você morro acima ou morro abaixo, mas uma característica comum para qualquer maratona é que você tem que ter força nas pernas, resistência e um bom condicionamento aeróbico na corrida. Mas como tudo na vida, e nas corridas não é diferente, existe um porém. Analisei o resultado final da maioria dos corredores da edição passada e percebi que boa parte terminou com um tempo aproximado aos tempos de uma maratona qualquer no asfalto. Isso me chamou a atenção e perguntei ao organizador, qual característica deixa a prova difícil? Ele disse – em poucos trechos teremos problemas com o percurso e por esse motivo não há necessidade de ir com tênis para trilha que são mais pesados que os de rua. Melhor se beneficiar com a leveza dos tênis normais. A dificuldade vem da baixíssima umidade junto com calor e a altitude, já que a média da maratona é a 2400m do nível do mar.

– Para a maioria dos brasileiros será impossível, talvez para os do centro-oeste seja apenas muito difícil, treinar com baixa umidade de Janeiro a Março. Sem contar que também não conseguiremos treinar acima dos 2000 metros, ou seja, temos que ir preparados nas variáveis que podemos controlar, ou seja, força, resistência para os treinos longos, e se possível velozes. E fazer a prova com mais cautela do que os treinos, até sentir que você faz parte do ambiente e que não está lutando contra ele.

Programe seus treinos controlando o ritmo e trabalhando na faixa de esforço recomendada pelo seu treinador, mas também programe sua prova com os parâmetros específicos para uma prova fora de estrada com os devidos poréns. A diversão de uma prova longa e diferente é tentar prevê-la e preparar-se para os imprevistos e diversidades que encontraremos sem a menor dúvida. Mountain Do Atacama 2013 já começou!

Se ficou alguma dúvida é só me escrever.

Nos próximos textos ainda vou falar sobre o clima, e o que nós aqui do país tropical temos que ter na mochila.

Enzo Amato.

Bertioga – São Sebastião – Maresias (solo e revezamento)

Para os que enfrentarão cada metro dos 75km deixo minhas percepções e informações úteis do que virá pela frente.

O percurso é lindo, praticamente 2/3 pela areia da praia, muitas praias, uma pequena parte por estrada de chão e muitas subidas e descidas no terço final da prova, já no asfalto.

Os meses de treinamento são duros, um bom planejamento distribuindo os treinos longos, com as respectivas recuperações, cansaço generalizado misturado com disposição e a pulga atrás da orelha por não saber o que vai acontecer. Tanto num Ironman, quanto numa ultramaratona temos que nos contentar em programar o que está a nosso alcance e saber lidar com o imponderável no momento que ele aparece, e tenha certeza, alguma coisa vai acontecer, desde uma pequena variação na temperatura que pode minar suas forças aos poucos, até câimbras ou dores “novas”.

Tento deixar registrado algumas situações que me foram importantes em 2008, quando fiz a prova na categoria solo, e acredito que algumas servirão para o pessoal do revezamento também.

Encontre um amigo guerreiro tanto quanto você para te acompanhar de bike como staff. Seu staff deve ir com uma mountain bike, de preferência com pneus de trilha. Usar mochila é a alternativa mais simples caso o carro de apoio do corredor (carro particular) esteja por perto nos pontos de troca, para reabastecer o staff de bike. Caso o corredor não tenha carro de apoio e só conte com o ciclista, um bagageiro com sua caixa, ou cesta, contendo todos os alimentos e bebidas para a prova vão servir. É muito importante que o ciclista esteja sempre abastecido e que o corredor não precise racionalizar na alimentação ou hidratação, pois qualquer detalhe faz muita diferença numa prova tão longa. Cinto de hidratação, comida, tudo isso com o staff, o corredor deve ir o mais leve possível, sem peso extra. O ciclista, por estar sempre ao lado do corredor, nunca vai pedalar num ritmo a ponto de conseguir aquecer o próprio corpo, por isso este deve ir bem agasalhado e preparado para vento, eventuais chuvas ou sol forte pelo caminho. O ciclista também precisa comer e se hidratar, afinal são muitas horas.

Cuidado com os pés. Na edição de Outubro de 2008 uma chuva constante nos acompanhou a prova toda, e além de apenas os pés molhados por causa dos inúmeros córregos que cruzam o percurso, um deles com água na altura dos joelhos, estávamos constantemente molhados e o risco de bolhas era muito grande. Antes da prova passei uma boa camada de hipoglos em todos os dedos, e também nos pontos de maior fricção, e ainda assim parei no km 55 para reaplicar como forma de prevenção, e obtive sucesso pois completei os 75km em 7h40 com os pés molhados, mas sem bolha.

Roupas. Dê preferência para cores claras, pois além de favorecer a troca de calor, são de fácil visualização, pois um bom pedaço será feito pelo acostamento e o trânsito não será bloqueado por causa da prova, e ser visto pode fazer toda diferença.

Trajeto. Sempre que estiver na areia das praias busque pela menor distância entre você e seu destino, para assim não correr mais que a distância certa da prova, que já é muito. Predominantemente será mais próximo da água com areia mais firme. A única praia que tem areia fofa é a de Maresias e mesmo assim uma distância curta, por isso não vale a pena ir com tênis de trilha, que são mais pesados, a prioridade é usar seu tênis normal de corrida, aquele que você usou nos treinos longos.

Ritmo. É lógico que o início vai parecer fácil, é lógico que você vai se sentir bem, afinal você está treinado para correr uma distância bem longa. Mesmo se sentindo super bem você deve correr num ritmo muito confortável desde o início, mantendo os batimentos em ritmo fácil de treino longo e não de prova. Os primeiros colocados começarão num ritmo que você até pode considerar fácil para uma meia maratona, mas a prova é muito mais do que isso e você deve seguir seu plano, e caso o clima esteja quente vá mais devagar ainda. Tudo isso fará diferença no final.

Subidas e descidas. Elas só aparecem depois do km 55, ou seja, quando você já estiver bem cansado. Nas subidas mais ingrimes é quase impossível correr, nelas o que falta é pulmão, mas nas descidas o que falta é força nas pernas para suportar o peso do corpo e nessa hora quem sofre são os joelhos, durante minha prova a dor era tanta que a solução foi descer de costas, é impressionante como o corpo tenta encontrar formas de driblar o que o cérebro tenta dizer, mas enfim, era dessa forma que eu conseguia descer, e assim eu fui. Tive até câimbras, algo que raramente tenho, mas como disse antes, temos que nos precaver com tudo o que está a nosso controle e deixar o imponderável para ser resolvido da melhor maneira. Comparando sucintamente com um Ironman, onde o cansaço é geral, na ultramaratona o esgotamento só é perceptível da cintura pra baixo. O ponto em comum é que as duas provas são desafios extremos, exigem planejamento e treino específico e por mais que sejam planejadas, alguma coisa diferente vai acontecer e você vai ter que se virar, se superar e entrar para um grupo seleto de pessoas persistentes.

A organização. É praticamente uma prova de auto suficiência, não adianta reclamar que faltou água porque é justamente pra isso que você deve levar seu staff. Os carros particulares que levam os atletas das equipes são bem identificados com adesivos fornecidos por eles. O tempo de passagem em cada posto é aferido por chip. É importante que todos leiam muito bem o regulamento para tirar todas as dúvidas antecipadamente e correr com ajuda do regulamento e não contra ele.

Se ficou alguma dúvida é só me escrever.

Aproveite a prova e divirta-se!

Enzo Amato.

Mountain Do Atacama, treinos. (parte 1)

Em março de 2013 vai rolar a 2ª edição do Mountain Do Atacama. 6, 23 ou 42km pelo deserto mais árido do mundo.

Fiz algumas perguntas para o organizador da prova para poder pensar nos melhores tipos de treinos, tênis… e deixo as primeiras observações que considero importantes.

Os treinos de corrida devem começar a ser pensados a partir da condição física atual do corredor, e só a partir daí evoluir na distância, mais ou menos a cada 15 dias ou 3 semanas chegando aos treinos de 3 a 4h, dependendo do corredor, e da experiência dele com corrida. Para alguns vale chegar a treinos de até 25km e deixar a prova como grande desafio, já outros suportam essas 4h sem problemas, podendo fazer isso por várias vezes durante a preparação se sentindo bem e sem lesões. Seu professor de corrida é quem pode traçar essa estratégia junto com você.

Musculação + corrida.

A corrida ainda está longe e não adianta usar todo seu tempo livre só para correr, você corre o risco de chegar perto da prova com o corpo cansado, a beira de uma lesão e desmotivado. Encare a musculação como um coadjuvante da sua preparação e que agora, há vários meses da prova, deve ser considerada com relativa importância. Ela que vai deixar o corpo forte para suportar o impacto, as subidas, descidas e a quilometragem do percurso, que por si só já é um desafio.

Pra quem já está acostumado com os pesos, vale dar atenção especial para os exercícios de perna caprichando na carga, desde que os joelhos permitam e você não sinta dor. Costumo comparar nosso corpo com uma corrente, e dizer que somos tão fortes quanto nosso elo mais fraco, por isso prefiro orientar que as pessoas treinem o corpo todo. Não me agradaria ter as pernas fortes, mas não suportar carregar uma mochila de hidratação se precisasse por causa de dor nas costas por ter a musculatura fraca.

Se você é do grupo dos que não gostam da musculação, tente vê-la como uma modalidade auxiliar para melhorar sua corrida. Não mais do que 30 minutos de 2 a 3x por semana é suficiente para treinar o corpo todo, com um exercício para cada grupo muscular. Emendar agachamento com flexão plantar e depois fazer flexão e extensão de joelhos, mais abdominal, supino e barra fixa faz o corpo todo trabalhar e aumenta absurdamente sua força fazendo com que a musculatura suporte trabalhar por mais tempo numa corrida.

Acrescento ainda que se você tiver que comprometer parte do treino de corrida por causa da musculação, não tem problema, vale a pena fazer isso. Conforme o tempo for passando e a musculatura já estiver mais forte por causa dos exercícios com peso, faremos uma inversão progressiva, dando cada vez mais atenção para a corrida e menos para a musculação apenas mantendo o condicionamento conquistado.

Se ficou alguma dúvida me escreva.

Sobre tênis, objetivos e dificuldades leia o texto a seguir.

Enzo Amato.

70.3 Penha 2012

70.3 (Meio Ironman) na pele do Robson, superação ao extremo.

O Robson está inscrito no Ironman Brasil 2013 e queria fazer seu primeiro 70.3, distância total de meio Ironman em milhas, como parte da preparação e coincidindo no final de suas férias. Depois de me falar sobre seus objetivos com certa antecedência, planejamos os treinos com aumento do volume progressivamente, e cautelosos, pela pouca bagagem no ciclismo e em provas longas de triathlon. No meio da preparação ele resolveu viver as férias e passar 23 dias na Itália, voltando para o Brasil no mesmo dia que iria embarcar para Santa Catarina, 2 dias antes da mais dura prova que ele faria até agora. Daqui pra frente deixo você com o relato escrito pelo próprio Robson de como foi seu meio Ironman, que valeu por um inteiro.

Início de Agosto, treinos na Itália.

Corrida, fiz 3 treinos, sendo um de 8km com calor de 34° em Salerno, outro de 10km com calor de 30° província de Roma e um outro de serra de 6km com um calor que beirava os 34° em Felito. Esses foram meus treinos de corrida de Agosto.

Bike, não consegui treinar durante as férias

Natação treinei um pouco na piscina de 25 mts em Felito e um pouco no mar Mediterrâneo quando fui passear por lá.

Dia 23 de agosto, cheguei da Itália desfiz as malas e comecei a fazer outra mala pro Meio Iron, peguei a bike da revisão, passei plástico bolha etc… Chegamos ao aeroporto e mandamos passar outro plástico para dar uma maior protegida, tirei as rodas amarrei do lado e bora… Chegando em Navegantes o pessoal da Opalatur já nos esperava com a van rumo ao Hotel.

Dia 24 de agosto, dia anterior a prova.

Acordei cedo, tomei café e me mandei pro mecânico que ficava no nosso hotel para ele montar e regular a bike, depois de uns 45 minutos fui ver como estava a garota. Ao chegar escuto a pior frase ”Quebrou a gancheira da sua bike durante o transporte aéreo e eu não tenho essa peça e provavelmente você não vai achar outra por aqui.”

Pensei em todos os meses que havia treinado, toda logística, dinheiro gasto com passagem inscrição etc… nessa hora o fácil seria desistir, mas ao invés disso fui batalhar e tentar encontrar a peça para que pudesse ser substituída. O primeiro lugar que fui procurar foi na Expo, mas nada, havia apenas de marcas diferentes, perguntei em 2 lojas e nada, pensei “meu pai virá logo mais a tarde, vou tentar com meu mecânico”, tirei uma foto da peça e mandei por mensagem para o celular dele, em alguns minutos veio a resposta “não temos essa peça” nesse caso eu havia 3 possibilidades, a primeira seria desistir (essa estava fora) a segunda seria comprar uma bike de TT specialized de alumínio no valor de R$4.990,00 (que por sinal iria me dar um baita prejuízo) e a terceira seria alugar a bike do mecânico que estava no hotel, que é maior que a minha, modelo speed e ir pra guerra assim mesmo.

Corri para o ônibus da Opalatur e voltei para o hotel rezando para que o mecânico não tivesse alugado para outra pessoa, ou até mesmo vendido, assim que cheguei subi correndo e fui ver a situação da bike, pois até o momento eu estava fora da prova e já era quase 2 da tarde. Começava o check in da bike, eu não havia arrumado minhas sacolas ainda. Quando o mecânico me viu já perguntou se eu aceitaria, e eu não tive dúvida, fizemos um mix para que eu não sentisse tanta diferença, colocamos meu banco na altura que estava na minha e  meus pedais. Bike pronta agora precisava ir para rua testar e aprender a mudar as marchas, embora fosse uma bike de carbono, roda de carbono ela era de ciclismo, geometria totalmente diferente e tamanho 52, mas no momento era o de menos, até com uma mountain bike eu iria pra prova. Voltei pro hotel separei as sacolas, peguei o ônibus e fui pro check in entregar bike e sacolas.

Check in feito eu estava na prova, só ai pude parar, respirar e botar fé que eu ia participar, se ia ou não me dar bem isso eu nem estava preocupado, estava na PROVA.

Dia 25 de agosto… (o grande dia)

Acordei, tomei café, peguei as últimas coisas e segui para a prova, chequei a bike, verifiquei os pneus, suplementação, fixei as 4 cápsulas de sal para tomar durante o ciclismo, tudo certo, fui encontrar os amigos Clodoaldo, Marcio e Leandro, pois havíamos combinado de ficarmos juntos.

Robson, Leandro, Marcio e Clodoaldo de preto.

Nos encontramos, era um passando energia positiva para o outro, nesse momento eu só queria era entrar naquele mar e começar a prova.

Entrei na água para sentir a temperatura, estava muito boa, o único porém é que estava com ondas grandes, quebrando forte e jogando para o fundo.

Natação

Hora da Largada…

Começou a tocar aquela música clássica das largadas do Iron, aquilo me arrepiou, adotei uma estratégia tranquila de largada, deixei o pessoal ir na frente e saí sossegado sem dividir o mar com ninguém, não tinha risco de levar socos e pontapés, fui tranquilo, quando a primeira grande onda veio tentei passar por cima, e CALDO… fui para o fundo, me levantei e veio a próxima, tentando mudar a estratégia pensei, vou passar por baixo… OUTRO CALDO… me levantei, quando deu uma parada entre as ondas foi o tempo certo para dar umas braçadas e pegar a próxima onda ainda se formando, respirei fundo e segui na prova, até a primeira boia tudo tranquilo, sem contar o desconforto da roupa de borracha, quando fui buscar a segunda boia percebi que estava nadando contra a  correnteza, nadava, nadava e nadava, e nada de chegar a segunda boia, enfim contornei e apontei para a praia, agora a favor da correnteza, só pensava em sair da água e beber uma coca, pois aquele gosto de sal já estava me embrulhando,  sai com 54 min da água…

T1

Peguei minha sacola do ciclismo, segui para área de transição, coloquei o capacete, óculos, relógio, carreguei a sapatilha na mão, pois como a bike não era minha não quis arriscar deixando presa na bike, água e coca pra dentro bora, pois 1/3 da prova já havia finalizado.

Ciclismo

Saí para os 90km de ciclismo confiante, quando olhei estava fazendo uma média entre 28 e 30km/h fiz a 1ª volta conhecendo o circuito, por sinal muito bom, com poucos trechos de subidas, para nós que treinamos na estrada velha a prova estava tranquila, sem vento, era focar e mandar ver, entrei na segunda volta, na ida tudo ok, quando fiz o retorno pra voltar, percebo um fortíssimo vento contra e algumas rajadas de vento lateral ao passar sobre as pontes. A bike balançava e tinha que segurar forte para não cair, minha velocidade caiu para 15 a 20km/h, fazia força pra subir e a bike demorava para andar, mudava de marcha, tinha hora que eu olhava e não acreditava, haviam acabado as marchas e continuava pesada, foquei no trajeto e continuei, foi assim até o final sempre na volta pegando o vento contra e cada vez que passava o vento aumentava ainda mais, foquei na suplementação, para não quebrar usei a cada 1 hora uma cápsula de sal, endurox nos intervalos e no km 30 e 60 mandei um gel, sempre pegando gatorade e água nos pontos de apoio, foi o que me ajudou a aguentar firme e forte, o pior momento da bike foi no trecho final que a perna começou a dar sinais de cansaço, mas ia massageando e usando a técnica do nosso amigo Marcio, passei a dor pra outro lugar e assim terminei a bike pra quase 4 horas.

 

T2

Fiz minha transição tranquilo, hidratei e fui para os 21km de corrida…

Corrida

Já sentia os sinais do tempo que fiquei na Itália, do esforço que fiz para pedalar contra o vento e pela bike não ser a minha, mas não desisti… fiz a primeira volta tentando achar um ritmo confortável, as vezes caminhava tentando pegar um ar, na segunda volta tive a companhia de duas pessoas que foram essenciais para que eu concluísse a prova, me dando apoio moral e incentivo a cada km, meu grande companheiro e PAISÃO Roberto e meu grande amigo “Ironman” Gustavo Velozo, e junto com a gente o árbitro, pois eu era o último no momento, minhas pernas estavam só o bagaço, mas não passava na minha cabeça em desistir, procurava sempre controlar o horário limite da prova que era de 8 horas, quando enfim estourei o limite, por isso o árbitro precisou se recolher, mas antes só perguntei uma coisa pra ele. – Posso continuar? Vou até o final mesmo que eu não ganhe a medalha! Tive a resposta – “Claro, vai que você vai conseguir” – fui até o final e na chegada uma grande emoção, pois estavam muitos fotógrafos conversando já na linha de chegada quando eu apareço, correndo, me arrastando, um começou a avisar o outro, todos ligaram as máquinas e começaram a bater fotos e me incentivar a cruzar e vencer meu desafio pessoal… no fim das contas, fiz 3 chegadas para que eles conseguissem todos os ângulos das fotos. Eu nem estava mais tão preocupado com a medalha quando um staff vem ao meu encontro com uma medalha na mão e diz, é sua garoto, você merece!

Mais tarde fiquei sabendo que o tal cara era o Carlos Galvão, nada menos que o diretor da prova e o cara que organiza o Ironman no Brasil, no dia seguinte ainda peguei com ele a camiseta de finisher, que só é entregue para os que concluem esse desafio.

Tempo final 8h15, mas realizado e campeão do meu desafio, e muito contente com as conquistas das vagas para o mundial do Marcio e Clodoaldo, grandes amigos do Triathlon…

E agora sinto o gostinho da frase

” A dor é temporária, o orgulho é para sempre”

Valeu coach pela sua dedicação comigo!

Abraços, Robson Carenzio.

Eu que deixei em negrito a última frase pelo simples motivo de sempre  acreditar e incentivar as pessoas a competirem consigo mesmas. É bem provável que pessoas perguntem a ele – o primeiro colocado terminou em quanto tempo? E a comparação entre profissionais e amadores terá sempre um enorme degrau, mas isso nunca desmerecerá o esforço de qualquer amador. Quem leu esse texto saberá que o Robson, apesar de todas as adversidades, foi o campeão do seu desafio e foi até o fim, e essa sensação nenhum número no relógio poderia dar, e além de tudo isso, ele curtiu as férias na Itália.
Parabéns Robson!
Enzo Amato

Como chegar ao alto nível no esporte.

Não se chega ao alto nível no esporte só por vontade própria ou investindo em centros de treinamento. As olimpíadas nos mostrou uma grande variedade de esportes, e em cada um deles um tipo físico diferente de atleta, que também por isso, os tornam muito bons em suas modalidades, no basquete e vôlei a altura é pré requisito, a agilidade e habilidade específica é questão de treino. Claro que não basta querer, ou treinar muito para jogar como Michael Jordan, ou correr como Usain Bolt, cada atleta tem seu limite de desempenho e o que diferencia os atletas numa olimpíada é justamente isso, o limite que cada um tem, pois numa competição desse nível todos treinaram e alcançaram 100% do seu potencial e fica claro que os 100% de Usain Bolt por exemplo, está mais além que os 100% dos outros corredores, e assim para tudo na nossa vida. Acredito que todos nós temos um talento, seja atlético, musical, artístico, em vendas, em línguas etc… isso não quer dizer que seríamos os primeiros ou os melhores, mas seríamos muito bons. Imagine quantos talentos estão escondidos ou buscando sucesso na área errada no nosso país, tanto profissional quanto esportivo, seja por falta de oportunidade em arriscar ou simples desconhecimento.

Proponho outra reflexão. A modalidade faz o atleta, ou o atleta busca a modalidade?

Sem a menor dúvida, o atleta escolhe a modalidade! A ginástica artística não deixa as pessoas mais baixas, como o basquete também não faz ninguém crescer. Explicando em poucas palavras, todas as crianças jogam basquete, mas só as mais altas continuam por afinidade e porque provavelmente jogam melhor que as mais baixas, e no esporte de alto rendimento só essas serão escolhidas. O ucraniano que treinava as ginastas brasileiras certa vez disse que era mais fácil girar um lápis do que uma vassoura. Outro exemplo é da russa Elena Isinbaeva que era ginasta quando criança, mas mudou de esporte por ser alta demais para a ginástica. Ela poderia ter seguido na ginástica e ser uma atleta mediana ou até mesmo amadora, mas acabou sendo orientada a procurar o atletismo e hoje é a recordista mundial no salto com vara.

No Quênia as pessoas não são diferentes, mas as crianças têm muitos ídolos na corrida e desde cedo usam a corrida até como meio de transporte, muitos acabam se destacando, e o país forma muitos corredores. O mesmo pensamento vale para brasileiros e argentinos com relação ao futebol, não somos melhores que outros países, só temos muitas crianças praticando e consequentemente muitos jogadores. Os Estados Unidos têm muitas pessoas praticando todos os esportes, e formam muitos atletas em tudo.

O Brasil tem que celebrar as conquistas dos atletas, mas principalmente usá-los como exemplo e ferramentas de incentivo para fomentar seus esportes no país e fazer com que o Brasil tenha muita gente experimentando vários esportes desde criança, os que podem chegar ao alto nível se destacarão e serão direcionados, mas por enquanto só precisamos de mais adeptos, e isso começa na escola e com os pais dando exemplo e incentivo em casa.

Enzo Amato.

O 2º treino para o caminho.

Com várias lições aprendidas no primeiro treino, combinamos o segundo um pouco mais conservador com relação à distância, mas muito bonito no sábado seguinte.

Foram 17km começando na estrada velha de Santos, onde costumo treinar triathlon com os amigos, mas agora, como peregrino, meu pai e eu saímos do asfalto e logo entramos numa trilha. Nossa intenção era caminhar durante a manhã e almoçar em casa num horário descente, por isso saímos cedo estacionamos o carro e começamos nossa caminhada pensando em dar meia volta quando alcançássemos aproximadamente 2 horas. Eliminei os supérfluos da mochila e por curiosidade pesei cada item e encontrei grande diferença até no peso das camisetas, algumas com 120gr. e outras com 180gr. sei que parece exagero a preocupação com algumas gramas, mas tenho que levar 4 camisetas e se eu carregar peso extra em cada item da mochila isso fará uma grande diferença no peso total, sem contar que devo levar esse peso nas costas por muitas horas, um dia após o outro, e apenas um treino foi suficiente para mostrar que só devo levar o necessário.

Duas horas para ir, mais duas para voltar e completamos 17km sem bolhas ou cansaço. Sei que foi a metade do percurso do treino passado, mas como disse no testo anterior, o corpo e a mente vão se acostumando aos estímulos e fazem o impacto mental ser cada vez menor.

Até o próximo.

Enzo Amato

Nosso 1º treino para o caminho.

Logo no nosso primeiro treino específico planejamos uma caminhada que duraria o dia todo. Tanto eu quanto meu pai estamos bem condicionados fisicamente, e precisávamos de um treino que causasse impacto e alguma adaptação. Ele tem praticado regularmente musculação há mais de 2 anos e quando sai para caminhar é comum fazer mais de 2 horas em ritmo acelerado ao menos 3x por semana. Eu como professor de Ed. Física me mantenho em forma com os treinos longos de triathlon, corridas e musculação, feitos com boa frequência.

Combinamos esse treino de 33km logo de cara para sentir o que podia dar errado e que um treino mais curto não mostraria, por exemplo bolhas, dores, roupa certa, onde a mochila incomoda etc…

1º treino específico

Saímos de casa, caminhamos 20min até chegar na estação de São Caetano, para pegar o trem sentido Rio Grande da Serra, de lá começamos nossa parte longa de caminhada, seguimos pela estrada por 16km, sendo que 6 deles por estrada de terra, até chegar em Paranapiacaba, a temperatura era amena, bem aproximado do que encontraremos na Espanha no fim de Setembro e por todo mês de Outubro. Depois de 3h20 de caminhada chegamos em Paranapiacaba para almoçar. A sensação era de cansaço, mas estávamos conscientes de que ainda faltava a metade. Depois de um almoço caseiro, mas pesado, retomamos nosso caminho, mas desta vez só pelo asfalto para facilitar e diminuir 2km com relação ao caminho de terra.

Neblina forte durante a volta

A volta foi difícil, não pelo almoço pesado ou pela forte neblina, mas pelo acúmulo dos quilômetros, das horas, e minha falta de costume em caminhar. Minha mente não estava acostumada a perceber os quilômetros passarem tão lentamente. Em boa parte do caminho de volta eu imaginava que poderia correr e chegar bem mais rápido ao destino já que corro confortavelmente entre 5 e 6min por km, enquanto que caminhando fazia em média 12min cada km, mas isso justamente é o que menos importa na nossa viagem. O importante é o caminho e não o destino, muito menos chegar rápido a ele. Acabei usando a experiência dos treinos de corrida, onde a sensação do primeiro treino longo sempre é difícil e incômoda, pois além do físico a cabeça também é treinada e adaptada ao esforço que impomos por horas, e a falta de costume em caminhar foi meu grande obstáculo mental.

Faltando pouco para terminar o dia

Depois que entramos no trem para voltar a São Caetano o sono bateu, e nessa hora a mente e o corpo acreditam que o esforço acabou e que é hora de iniciar a fase de regeneração onde qualquer incômodo, que durante a atividade estava mascarado e passava despercebido, aparece de repente, mas ainda tínhamos mais 2km até chegarmos em casa e tanto eu como meu pai ganhamos uma bolha ao longo da caminhada, e começamos a senti-la logo ao sair do trem, mesmo assim continuamos, mas o erro foi termos usado a meia fina de má qualidade, onde não basta apenas ser fina, ela deve ter a composição correta dos materiais, e sem algodão. Basicamente poliéster, poliamida e elastano. Usávamos 2 pares de meias, onde a mais fina que vai em contato com o pé, deve transferir o suor dos pés para fora e evitar o atrito, enquanto o segundo par, mais grosso deixa os pés confortáveis dentro da bota.

Lição aprendida que sem dúvida um treino curto não teria ensinado. Melhor ter sofrido e aprendido aqui do que durante o caminho onde no dia seguinte teríamos que caminhar novamente. Outra lição que pude aprender na marra é que qualquer 100g. a mais faz diferença. Minha mochila tinha mais de 15% do meu peso corporal e não me parecia preocupante carregar 1,5kg a mais, e também porque logo de manhã a mochila parecia leve, mas no fim do dia sentia esse peso extra e dava valor para cada grama, já imaginando quais itens não eram essenciais nos longos dias e que os deixaria em casa no próximo treino.

Sinto que cada dia vai nos ensinar alguma coisa e assim ficaremos mais preparados e confiantes para o Caminho de Santiago, que está cada vez mais próximo.

Enzo Amato

259 heróis brasileiros.

O Brasil tem 192 milhões de habitantes e apenas 259 estão aptos a participar dos jogos olímpicos de Londres.

Admiro nossos 259 heróis brasileiros que conseguiram o índice para poder ir aos jogos olímpicos, torço para que todos lutem com dignidade e façam seu melhor para superar suas marcas, afinal levam o nome do nosso país. Medalhas? Poucos podem alcançá-las, e caso elas não venham, não gostaria de ver os atletas pedirem desculpa ao povo brasileiro, como já aconteceu em outras edições, afinal nós não ajudamos em nada para que eles fossem aos jogos, foi mérito do esforço e dedicação deles, de suas famílias e equipe. Nem os patrocinadores eu considero, pois eles só aparecem depois que o atleta já mostrou seu talento suando a camisa, a maioria não investiu na formação.

Os considero super heróis porque um atleta é mais valioso para seu país se ele for exemplo de conduta e atitudes ao invés de simplesmente ter uma medalha no peito. Em 2012 temos apenas 259 super heróis brasileiros, e com esse título só espero por uma grande disputa de todos eles, em suas respectivas modalidades. Como espectadores, é nossa oportunidade de admirar os melhores de cada esporte, tentar imaginar o quão rápido e forte eles são, e por enquanto, ter a certeza de que esses são os limites do homem.

Em todas as modalidades os atletas se prepararam durante os 4 anos do ciclo olímpico, e além do talento, 100% de sua capacidade atlética foi desenvolvida nesse período, inclusive fora dos treinos, porque toda rotina do atleta influencia no seu desempenho, onde a sorte é apenas um detalhe incerto de cada esporte.

Força atletas! Inspire seu público com uma luta digna, e se assim o fizer, não considere as críticas de ninguém.

Que comecem os jogos.

Enzo Amato