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5/07/2010 - Incontinência Urinária

O Centro de Traumato-Ortopedia do Esporte (CETE) da Unifesp foi fundado em 14 de dezembro de 1997 com o objetivo de estudar e prevenir as lesões dos esportistas. Anexo ao CETE, existe o Centro de Ginecologia do Esporte Unifesp que atende atletas de alto nível para consultas rotineiras ou queixas como a incontinência urinária relacionadas ao esporte. Este setor foi fundado em 2006.

O MidiaSport conversou com duas profissionais especialistas no tratamento da Incontinência Urinária nas atletas, a Dra. Maíta Poli de Araújo que é ginecologista e Laura Grechi Della Negra que é fisioterapeuta que nos contaram tudo sobre a patologia e seu tratamento até a cura total.

E também como prova de que este problema é frequente e afeta a vida das atletas, conversamos com Rosemar Maria Coelho Neto (BM&F/Caixa) que é corredora de 100m e revezamento 4x100. Ela contou sobre sua trajetória até chegar ao centro especializado no tratamento da incontinência. e com a grande melhora que já teve, falou sobre suas metas e objetivos para 2009.

Ouça a entrevista!


Sobre o problema:
 
A incontinência urinária é definida pela Sociedade Internacional de Continência como sendo qualquer perda involuntária de urina. É sintoma tido como indicador subjetivo de doença ou mudança na condição outrora normal, percebida pela paciente, familiar ou parceiro, e que provoca a necessidade de procurar um profissional de saúde. Os sinais de IU são observações feitas pelo médico ou por medidas simples tais como a realização do pad test.

A prevalência de IU em mulheres de 15 a 64 anos varia de 10% a 56% e depende das características das populações em estudo. Porém, mesmo com esta elevada prevalência, apenas um quarto destas mulheres procuram ajuda médica.

A IU mais comum é a de esforço, caracterizada pela perda de urina ao tossir, espirrar ou realizar esforço físico.

A incontinência urinária por urgência (IUU) é a perda involuntária de urina associada a repentino e forte desejo de micção que pode ocorrer isolado ou em combinação com o esforço, sendo conhecida como incontinência urinária mista.

A IU não é condição perigosa ou de risco e, embora não cause morbidade ou mortalidade, ela pode levar a inatividade, principalmente pelo constrangimento higiênico e social. Além disso, a perda involuntária de urina não é sintoma limitado apenas às mulheres idosas. Vários estudos demonstram que jovens tem perda de urina ocasional durante suas atividades diárias.


INCONTINÊNCIA URINÁRIA EM ATLETAS

Diversos autores relatam a perda involuntária de urina em mulheres jovens, atletas.
A prevalência da IU durante a prática esportiva, em atletas de elite, varia de 0% (golf) até 80% - trampolinistas (2,5), ou seja é maior em esportes que envolvem atividades de alto impacto. É observada também em atletas que praticam ginástica, atletismo e alguns jogos com bola (2,4). Um grande número destas mulheres, relata que a perda de urina é muito embaraçosa, afetando sua concentração e desempenho (2,3).

Durante um estudo, o movimento que mais provocou perda foi pular com as pernas em abdução (30%), seguido de corrida (30%), do salto com as pernas em adução (28%), e queda após salto (14%).

Alto risco                 Risco moderado               Baixo risco 
Atletismo                     Corrida                           Natação
Ginástica                     Tênis                              Remo
Basquete                    Esqui                              Ciclismo
Vôlei    
Judô    
Fisiculturismo    
Equitação    


ORIENTAÇÃO PARA TREINADORES E TÉCNICOS

Treinadores e técnicos têm importante papel na orientação de mulheres, seja qual for sua idade e nível de aptidão física, quanto aos meios para prevenir a IU e outros danos ao assoalho pélvico. Para isso, conhecer a anatomia e a fisiologia femininas é fundamental para orientar essas atletas, que muitas vezes omitem seus sintomas com medo do preconceito e da exclusão.

As atletas de elite devem ser encorajadas a continuar seus exercícios regulares junto ao treinamento do assoalho pélvico com orientação fisioterápica.

Propor alternativas de atividades de baixo impacto (caminhada, ciclismo ou natação) é extremamente válido. Realizar os treinos de corrida em terreno gramado ou em aclive permite além de minimizar o impacto, maior estabilidade do tronco e melhor capacidade contráctil do MAP.

Serviço:

CETE (Centro de Traumatologia do Esporte)
Rua Embaú, 87 - Vila Clementino - São Paulo - SP
F. (11) 5539-5090

Clínica e Escola Mirca Batista Ocanhas 
Rua: Afonso Braz, 473 - 11º Andar
Vila Nova Conceição - São Paulo - SP
F. (11) 3045 - 5838

 

Fonte: Reportagem: Mariana Ferrari - MidiaSport / CETE Unifesp